São Paulo, fevereiro de 2000, a banda Questions era formada. Em junho do mesmo ano, ele lançaram a fita K7 We Shall Overcome. Uma curiosidade é que eles estiveram em um CD coletânea aqui da Trip na edição 84!
Há muito tempo esses caras estão na estrada; em 2003 o primeiro disco, Resista!, foi lançado. Um grande marco da banda também nesse ano foi a abertura de um show do Sepultura, desde então a banda não parou mais. Entre shows e clips (a banda tem 4 clips no currículo), em 2007 sai o segundo disco, intitulado Fight For What You Belive.
Muita coisa aconteçeu desde então, dividindo palco com bandas como Sepultura, Madball, Agnostic Front, Sick Of It All, Ratos de Porão e ainda um turnê europeia passando por 17 países realizando 37 shows em um pouco mais de 40 dias de viagem, não é pouca coisa.
Questions é um pilar na cultura do hardcore underground de São Paulo, sempre tomando iniciativas diversificadas e mostrando que mesmo com dificuldade é possivel fazer acontecer.
E nesse sabádo no CB eles estarão comemorando esses 10 anos de estrada com uma participação muito especial: Iggor Cavalera.
Se você gosta ou faz parte de alguma forma da cultura do hardcore São Paulo a presença é obrigatória !
Pode chamá-lo de Sesper , o artista autodidata que fez stickers e hoje produz colagens retratando Britney Spears enforcada e com as pernas abertas. Se preferir, ele é o Farofa, vocalista do já clássico grupo de hardcore nascido em Santos Garage Fuzz, que acaba de lançar CD e DVD ao vivo. No RG, o nome é Alexandre Cruz e ele tem 36 anos (completa 37 em 2010).
Dos 20 anos de correria no hardcore, Sesper aprendeu a dificuldade da vida de artista, seja fazendo shows ou exposições. Trocou as longas turnês enfurnado em vans circulando pelo Brasil por viagens ao exterior sem conforto nenhum: chegou até a dormir no chão de um apartamento nos Estados Unidos. Montou uma loja-galeria no centro de São Paulo, a Most, um misto de espaço de exposições com loja de camisetas e arte. Suas incursões também incluem o vídeo: daí veio o documentário seriado Re:Board, uma pesquisa estética e histórica da evolução dos shapes de skate no Brasil.
O sustento ainda não vem da arte, mas ele está cercado pelo apoio de suas famílias: da esposa e das duas filhas e do coletivo do qual faz parte, a Famiglia Baglione, que conta com outros artistas - como seu amigo Felipe Young, o Flip. Escolado no fanzine, Sesper mantém no seu estúdio - na verdade um quarto anexo em sua casa na zona sul de São Paulo, as obras que não foram vendidas em exposições. Mas ele diz não se importar com as vendas e sim com o que quer transmitir.
Sua escola foi o hardcore. Fez fanzines, inspirou-se em capas de discos do Black Flag, andou de skate. Hoje, mais "véio", como diz, olha com realismo para o passado. Trabalhar em marcas de skate dava dinheiro, mas a infelicidade nessa atividade cobrava um preço alto demais. A arte ainda não paga as contas, mas Sesper não desanima.
Conte a história do clube de xadrez que você estava contando para a sua filha Eu estudava na Escola do Carmo, era de padre. No meio dos anos 80 eles ainda tinham matérias como teatro, música, xadrez, a gente escolhia um esporte para jogar na escola. O xadrez era obrigatório. Tinha aula, planilha - hoje em dia eu não lembro direito. Tinha o clube de xadrez que era ao lado de uma loja de rock que era do filho do ex-jogador do Santos, Pepe. Era animal. em cima tinha vídeo e todo fim-de-semana tinha projeção de VHS na televisão: Exodus, Metallica, Venom, Raven. Embaixo tinha a loja, que vendia vinil, fazia gravação de fita cassete e vendia camiseta. Vendia pastas também, você comprava matérias. Como o Brasil não tinha revista de música boa - tinha a Row e a Metal, então a gente comprava a folha [com matérias da banda preferida]. Isso tinha em São Paulo também, na Woodstock e na Galeria do Rock. Eu fazia do Anthrax e do Metallica. Eu ia no clube de xadrez, jogava, quando saía comprava uma camiseta, pegava umas fitas. Era engraçado, tinha umas tretas porque os caras ficavam ouvindo rock altão e os caras jogando xadrez do lado. Era colado, porta com porta, numa galeria em Santos. Eu gosto do período da escola. Conheci o Fernando do Garage Fuzz nesse período. A gente pichava muro, andava de bike e skate, em 1987. Não sou muito saudosista em métodos, vamos todo mundo voltar a escrever carta, vamos todos ouvir fita cassete, vinil... Tenho preguiça de vinil. Para ouvir, fico o dia inteiro no iTunes.
Como você começou a se envolver com música e o hardcore? Eu tive uma banda de metal chamada Assepsia. Na real, o skate ajudou também. Tive o contato do Rock In Rio (em 1985), que todo moleque com mais de 30 anos viveu. AC/DC, Scorpions, Iron Maiden, Judas [Priest]. Aquela época do "new wave" do metal britânico: Samson, Saxon. Escutava essas coisas. Até hoje escuto, não tenho vergonha de dizer o que escutava no passado. Não um disco, mas determinadas faixas que fizeram parte da minha vida. Comecei a andar de skate em 86, escutar as bandas, Ripcord, esse tipo de banda. Nessa época, comprei um baixo. Eu gostava muito do visual. Não que eu escutasse as bandas pelo "visu". Mas me ligava nos detalhes. Tipo a capa do primeiro disco do Voivod [War and pain, de 1984] e o RRrroooaaarrrr! [de 1986]. Até achava estranho escutar aquilo, não caía de "prima", mas as capas eu achava demais, o logo. Até me forçava ouvir por gostar disso [do visual]. Sempre escutei tudo misturado, hard rock, punk, new wave.
E o Ovec? Começou em 88. Era uma galera que estava saindo do metal para escutar hardcore, tinha muito do skate. Era uma época em que não existia straight edge, então beber que nem louco, tomar vodka, uns goró forte, andar de skate bêbado... Outra época. No período 88, 89, a gente começa a trocar correspondência com as bandas stright edge e as coisas dão uma mudada na galera: um hardcore mais positivo de bandas como Heresia e Ripcord, que mesmo não sendo straight edge, tinham um lance mais energia, não como Exploited, GBH. A gente começou a ouvir mais hardcore americo e começou a mudar pelo estilo de vida, aquela coisa da Califórnia, Nova York: bermuda de skate. Era Quando a gente era do skate e colava no meio do metal, era tirado de boy, colorido. Tinha um gap. Nessa época do hardcore o skate era aceitável.
Como é segurar 20 anos de banda? Chega uma hora em que não tem mais o que fazer. Vai ficando velho, não tem mais como começar outra coisa. Eu tenho essa sensação às vezes: você se fodeu, você escolher isso, agora vai até o fim. Não vou mentir. Não me arrependo de nada que o Garage fez. Outro dia, respondendo uma entrevista de um zine, [perguntaram]: "Como continuar por tanto tempo?". São os mesmos caras que eram amigos. Parece uma continuação de quando você era moleque. E hoje em dia você é pago para fazer uma coisa que antes "tu" brincava de fazer. Essa é a sensação. Não que pague as contas, mas não me arrependo. A única coisa que eu mudaria é o tempo de fazer os projetos. Os do Garage eu encurtaria o tempo dos discos e os da arte eu aumentaria. Foi tudo meio ao contrário. O Garage deveria ter sido mais acelerado e a arte deveria ser menos acelerada.
Como é fazer rock de um gênero específico [hardcore] no Brasil? Hoje em dia, o que fortalece a gente é que a gente acredita no que faz. Dá uns "puta" desânimos. Você cresce num lance estudando o movimento e, vinte anos depois, fica descartável. Não que eu ache isso ruim, mas acho que tem ter um fundamento musical ou ideológico, não pode ser uma coisa descartável. Não era isso para nós. A gente vinha do ranço da ditadura nos anos 70, todas as coisas que a gente viveu nos 80 pareciam grandiosas: "Oh! Ver um show de rock!". Com a internet tudo ficou... Não "tô" falando de uma forma negativa porque a divulgação é importante, a liberdade que hoje em dia tem de expressar as idéia é muito mais prática, rápida e sem custo. Mas naquele período você conquistava as coisas. Hoje em dia, não, você compra. Hoje em dia você dá um google, compra tudo no Ebay, em uma semana já é top da coisa, você tem as camisas mais foda. Não é só isso, tem que ter o embasamento, do porquê. O cara quer ser emo, seja emo, mas descubra porque o Falling Forward fazia isso nos anos 90, descubra o Embrace, Ian MacKaye, acho que isso é importante.
Então conte como era para conseguir os discos, os vídeos. Eu tinha amigos que trocavam vinil, tinham um pouco mais de grana, trabalhavam, eles iam na galeria trocar discos. Punk nacional, metal nacional. A Europa, Japão, gostavam de trocar discos. Nos Estados Unidos nunca teve muito essa cultura. Eu gostava de trocar fita, de receber fita de 90 [minutos] cheia de EP. Quarenta EPs para conhecer as bandas e os estilos. Trocava com um pessoal de Los Angeles que fazia fanzine. Eu mandava muita fita, tinha contatos bons na Europa, trocava camiseta, zine. O negócio era meio escambo. Você mandava um international reply coupon, IRC, e eles trocavam lá pelo porte no valor para mandar de volta.
Você faz uma colagem dessa todo dia [Sesper está sentado no chão colando pequenos retalhos]? Não. Eu fui no Tomie Ohtake, empolgadão para fazer uns trampos, ver o Rauschenberg, quando voltei já tinha desanimado. Também não fico forçando para fazer. Fiquei cinco dias sem estar aqui dentro, aí deu uma saudade de fazer colagem [continua sentado no chão, com luvas de borracha e um tubo de cola]. Eu não penso muito para fazer. Se eu tivesse que ir para uma exposição hoje em dia, só pegava uma sacola dessas [agita uma sacola de plástico preto] para preencher o espaço. Não fico mais; "Ah, vou levar isso, vou levar aquilo...".
Como você começou a mexer com arte? A colagem vem desde os zines. Em 87 tinha um baile de metal perto da minha casa. Não lembro se eu não podia entrar porque era menor, mas eu ficava em casa ouvindo Comando Metal e eu comprava Rock Brigade, uns fanzines, O Barata, e fazia fanzine. Comecei a fazer um fanzine de thrash metal chamado Slaughterzine. Fui fazendo colagem. [Levanta-se para pegar uma caixa lotada de páginas de fanzines que ele fez]. Eu gostava da colagem do Dead Kennedys, esse era o tipo de influência. Fiz cartaz... Aí parou. Na época do primeiro disco do Garage Fuzz [Relax in your favorite chair, de 1994] comecei a enxergar que dava para fazer arte sem precisar estudar. Dava para fazer coisas de rock, arte independente, as capas do Black Flag, desenhos simples que eram mais a mensagem do que a técnica. De enxergar a coisa de artista mesmo, foi quando rolou o lance do skate, quando comecei a comprar umas Slap, Transworld[revistas de skate] no meio dos anos 90, comecei a ver trabalhos do Mark Gonzales, Ed Templeton, que hoje dia dizem que é uma arte americanizada, banalizada, simples, mas era espontâneo na época. Era mais pelo gás de falar: "Os caras fazem, é simples, dá pra fazer". Fui ver Bauhaus só em 2006, saber o que era. E não tenho vergonha disso não. Não me meto a falar do que eu não sei. Eu conheço um outro tipo de mundo da arte, bem mais underground. Ter vivido isso foi bom.
Do que você gosta hoje em dia? Tenho procurado muito colagem. Como meu trampo foi indo mais para esse lado, eu procuro pesquisar mais técnicas. O que eu sigo mesmo, estudo é o Fred Otnes. É um cara que mistura todas as técnicas de uma forma que eu curto. É um dos meus favoritos.
Quando você se tocou de que era artista? Tem que ter aquela cara-de-pau de assumir a coisa. Eu demorei um pouco, na real. Fazia, mas nunca quis expor, fazia e dava os trampos. No fim dos anos 90 comecei a enxergar que eu podia trabalhar com arte para ser o ganha-pão - trabalhando com as marcas de skate - mas artista mesmo, faz uns três anos. Rompi com um passado que estava se estendendo e começar um negócio novo. É o que eu tenho feito. Tenho que fazer esse trampo evoluir, não mudar minha arte pelo mercado ou por crítica. Sou indiferente a isso. Eu faço o que eu curto. Foda-se não vende, se a galera não gostou de ver a Britney Spears enforcada, se não gosta se eu ponho Jesus de quatro. A arte é outra história. Eu vejo até onde eu vou conseguir incomodar. Com o que eu mais me divirto é com a reação das pessoas. Podia continuar vendendo bem mais se eu fizesse pássaro, árvore, natureza, bichinhos que a pessoa poderia colocar no quarto do filho. Isso é o meu lado do real. Não do que eu penso, porque não vou sair por aí pondo bomba. É um terrorismo de tudo que me mandam de merda e que tenho que acabar conhecendo por tabela. Que nem falam: "Los Hermanos é uma merda, eu nunca pedi para ouvir "Anna Julia, odeio aquela porra". Você começa a odiar porque te forçam a ouvir aquilo. Pego, junto todo esse lixo, reciclo e mando ele de volta de uma forma lixo. Tem como eu mandar ela com filho enforcado, com o marido tentando roubar uma grana, com todas as pessoas que trabalha ao redor dela, secando a beleza, por isso esão todas olhando para a buceta dela, todos os velhos americanos pervertidos olhando para ela. É hardcore mesmo. Não quero que a minha mãe olhe meu quadro e diga: "Nossa filho, você está pintando tão bem".
Hoje você trabalha 100% com arte, mas você teve loja, teve galeria, trabalhou em marca de skate. É, eu não era feliz. Talvez na loja de disco, porque eu podia pedir uma pá de disco. Queria comprar [John] Coltrane [saxofonista de jazz], comprava uma caixa com todos os discos, ouvia jazz o mês inteiro. Trabalhar nas marcas de skate me fez desanimar de algumas coisas. Skate sempre foi um esporte que dá liberdade para agir, pensar. As marcas estão muito presas às tabelas de preços e planilha de vendas, o que deixa a coisa muito careta. Não me fez bem. Prefiro seguir curtindo o que gostava, os filmes antigos, as pessoas que eu conhecia e pessoas que têm essa visão do skate mais livre. O Re:Board foi para isso. Se você quiser, você faz uma rampinha na porta de casa, se diverte. As pessoas reclamam muito de não ter, não fazer, mas dificilmente se prontificam a fazer algo novo ou sacrificar o tempo e a vida para fazer algo em que realmente acreditem.
Foi isso o que você fez, dedicando-se a arte? Acho que sim. Ainda não me mantenho dela. Tenho que agradecer aos meus amigos, minha família, minha esposa, pessoas que acreditam. Tenho uma liberdade, um apoio, suporte. Se eu não tivesse isso, estaria trabalhando numa marca de skate, depressivo, tomando Frontal [tranquilizante] todo dia. Nos anos 90, a gente fazia por fazer. Eu morava com o Carlos Dias, a gente tinha pilhas de trampos, foi embora. Não tinha um valor comercial.
A sua experiência como músico ajudou para agora? Eu aprendi a tomar na cabeça com a música. Tomo menos por causa da banda. Quando chegou a arte, já tinha vivido umas roubadas que me ajudaram, sem dúvida. Você enxerga a galeria como casa de show, começa a lidar como lida na música.
Por exemplo? Por exemplo, não reclamar se você vai viajar para uma galeria e ter que dormir no papelão. Seria um tipo de coisa que qualquer artista plástico iria chorar. "Você está me deixando em Los Angeles no seu apartamento em West Holywood e eu só tenho um papelão? Beleza, eu durmo no papelão, como no 99 cents". É assim. Eu dormia no sofã mijado de gato ou no papelão, na boa. O rock já tinha me calejado; passar seis dias dentro de uma van com seis "nêgo", ninguém feliz com o que está rolando porque não dá para agradar todo mundo, comendo mal, dormindo mal.
"Chuva Lava a Alma, som que é uma oração retratando de forma incisiva a visão sobre o cotidiano cinzento da metrópole, aliado a esse fenômeno natural que é a chuva. Como se ela tivesse o poder de curar e tirar toda a maldade com que convivemos em nosso dia-dia." Nas palavras do próprio criador do som, meu parceiro JPNK.
Esse som é o primeiro single do disco que ele está finalizando e que ele me mostrou em primeira mão em uma de nossas sessões semanais no studio 176.
Na hora veio a ideia na cabeça e falei pra ele que ia fazer !
Assis176
JPNK e DonCesão
A produção desse single fica por conta de Pizzol e DJ Caíque, o videoclipe tem a minha direção (Marco Grilo) juntamente com Danton e Assis176 que também é responsável pela direção de fotografia, junto com Jéferson Fernandez a.k.a. Mutantions Artwork, responsável pela capa do single.
Sem mais delongas JPNK - Chuva Lava Alma Part. DonCesão
Numa segunda-feira, às 14h30, a maioria das pessoas está enfurnada em escritórios, perdida entre o telefone, e-mail e tarefas a entregar. Passar o primeiro dia da semana ouvindo música pode parecer coisa de desocupado, mas esse não é o caso de Caíque Benigno, o DJ Caíque. Do quarto do apartamento onde mora com sua mãe em Santana na zona norte de São Paulo, ele comanda o selo 360 Graus Records. Rappers como Pizzol e Doncesão são as estrelas de seu cast independente.
Assis 176
Dj Caíque
Apesar do modesto equipamento que usa para produzir seus beats - um PC de 40 gigabytes de hard disk e memória flash de 512 megabytes - Caíque vem conseguindo chamar atenção: pelo segundo ano seguido sua crew participou do festival Indie Hip Hop e o selo americano underground Creative Juices incorporou o DJ brasileiro ao seu cast de produtores.
Como começou a mexer com música? Em 2000, fui ver um amigo meu tocar. Já tinha visto as pessoas tocar, mas não rap. Quando eu vi, ele estava tocando rap, funk, soul. Pensei: "Que da hora, quero isso pra mim". Falei com ele e ele me mostrou e fiquei apaixonado pelas pick-ups, escutei os raps que não estavam na mídia, mais underground. Gostei pra caramba. Até aí eu conhecia pouca coisa do rap, conhecia o que chegava até mim e o que os amigos apresentavam. Fui pesquisar tudo e fui ver que a maioria dos beats eram sampleados de funk, de soul. Me aprofundei. Falei: "Isso é pra mim".
Você ficou conhecendo rap com esse seu amigo ou já curtia antes? Já curtia desde 95. Conheci Racionais, RZO, Thaíde, escutei umas paradas gringas gangsta, Big L , Black Moon, NAS, Notorious BIG.
Você sabe quantos beats já fez? Putz, não sei. Eu numero por ano. A média em um ano é de 200. No ano de 2009 eu fiz um pouco menos, eu mixo, faço a masterização, gravo. Tô lançando vários CDs: o do Doncesão, o Dr. Caligari, Pizzol, 4ª Estrofe, mixei o do ProJota, tenho essas tarefas. Além de divulgar, fazer site, fazer video teaser, vou fazendo, independente.
A 360 é você basicamente, então. É, eu que faço as paradas acontecerem.
Você grava tudo aqui no quarto? Gravo. Tenho microfone Samson, condensador de estúdio. Não tem acústica, né? Então me mato nos plugins para deixar o vocal legal. Dá para ter uma noção de que fica legal. Eu mando som pros caras lá de fora e quando eu mostrei... Tenho duas caixas aqui, de retorno, não são caixas monitoradas, um PC e o Fruity Loops. Os caras têm milhares de equipamentos lá e falaram que a qualidade fica boa.
Se eu sentar aqui com você por umas horas saio daqui com um disco? Com certeza.
Só eu, você, o microfone e os programas? É isso que a gente faz. O pessoal vem, grava, no dia seguinte já dou a pré-master, mixo tudo de uma vez.
Marco Paoliello
Na mesa onde a mágica dos beats acontecem
Como é sua rotina de trabalho? Eu faço bastante coisa. Estou fazendo um disco, então eu mixo o som, faço contatos, faço beat, mexos nos blogs de divulgação que a gente tem, Myspace. Fiz um site sozinho, na marra. Pesquisei como fazia durante três meses. Eu via o Myspace dos outros todos bonitos e fui pesquisar. Eu gravo, os caras vêm aqui, a gente fica aqui, escuta uns discos. É uma rotina musical, o dia inteiro respirando música.
Acaba ficando mais em casa do que saindo? Eu não sei se é um problema, mas assim que eu comecei a trabalhar eu disse: "Se eu quiser viver disso, vou ter que correr atrás". É difícil viver de música. Tem um monte de músico que não consegue. Tenho que trabalhar mesmo. Você tem que se virar, ser autodidata e aprender. Eu só saio para o que acho que vai ser importante para mim. Curtir eu curto com os meus amigos. Gosto de um churrasco, gosto de ir na casa dos amigos. Não sou muito chegado em balada.
De SP a NY
Caíque mostra seu acervo de músicas. Como a memória do computador é limitada e está reservada para os timbres que ele usa no programa em que cria as batidas, quatro Hds externos abrigam sua coleção. Segundo ele, já chega a um terabyte (1000 gigabytes) de álbuns dos anos 60 e 70, seus favoritos. O italiano Enio Morricone é sua principal inspiração. "O Enio Morricone ter 360 discos, para mim, é da hora. Um dia eu quero chegar... não como ele, mas quero lançar coisa pra caramba".
Como você conheceu o pessoal de Nova York [do selo Creative Juices]? Deixei um álbum meu instrumental no Soulseek [programa de troca de arquivos] em 2003, para ver se alguém ia baixar. O primeiro que veio foi um cara de fora [o rapper IDE]. Falei com um amigo meu de Florianópolis e disse: "Meu, eu não manjo muito de inglês, então me ajuda para eu ver o que esse cara quer". Quando eu fui ver, o cara gostou das batidas, ele era de Nova York e disse: "Vamos fazer um som juntos?". Fizemos eu, ele, e esse amigo meu de Florianópolis, o Huracán. A partir disso, eu passei a trocar muita ideia com ele, ele tem um selo que se chama Creative Juices, comecei a fazer parte dele em 2003. Estou lá desde então. Hoje está bombando lá fora. Na crew da qual eu participo, tem gente que eu escutava em 1999, 2000. Para mim é uma honra. O IDE confiou em mim mesmo não conhecendo e eu sendo de longe. A gente conversava em inglês misturado com espanhol, era meio difícil. Foi demais. Hoje estão saindo muitos trabalhos, o cara mandou vários [quatro] CDs dos quais eu participo.
Dá vontade de ir pra fora? Eu estou fazendo um disco com eles, DJ Caique versus Creative Juices, então eu preciso ir para lá para lançar, mas jamais vou abandonar isso aqui, vou ficar só dois meses. Quero voltar para cá e continuar a fazer as paradas que eu faço, quero fazer bombar aqui. O mercado lá fora gira mais, é mais bem-aceito. Aqui, o pessoal ainda vê o rap com discrimnação, mas está mudando no [rap] alternativo. Até os caras que falam de violência estão abordando outros assuntos. Vai melhorar. Tá no caminho certo, eu acho.
Passado mainstream
Marco Paoliello
Na época de Faustinho, com apresentador Fausto Silva
Em meio a vinis do rapper Necro, paredes grafitadas e pichadas, duas caixas enormes de retorno em cima da mesa onde cria suas batidas, o passado de Caíque ronda silencioso. Em cima da escrivaninha, uma foto dele criança, "no estúdio da Som Livre". A ocasião já era a de gravação de um rap. No filme O inspetor Faustão e o Mallandro (1991), Caíque fez o papel de Faustinho, versão em miniatura do apresentador da TV Globo. O momento mais memorável do longa é a cena musical, na qual Faustão e Sergio Mallandro cantam (rimam?) sobre as qualidades do ovo. No fundo, Caíque dança, acompanhando a batida. Em 2009, o agora produtor ri lembrando do passado e dança sentando na cadeira enquanto mostra uma batida baseada em trilha sonora de filme de bangue-bangue. Grandes álbuns de recorte feitos por sua mãe são o documento da época em que Caíque vivia dentro do mainstream da TV brasileira, convivendo com gente conhecida como Xuxa, Leandro e Leonardo, Seu Boneco e Fábio Assunção.
Você começou com quantos anos na TV? Comecei com seis anos fazendo comercial. Fiz bastante Rá-Tim-Bum, teatro. Enquanto isso eu fazia comerciais. Era um gordinho ali, fazendo comerciais nos anos 90. Depois eu cresci. Ainda fui fazer uns testes, mas o pessoal falava: "Nossa, o Faustinho, você cresceu!". Lógico que eu cresci. Eu vi que desgastou a imagem. Quando você é pequeno, é bonitinho, gordinho, aí quando cresce vira o Faustão [risos]. Trabalhei na TV até 1999, eu fazia o Disney Club, o TV CRUJ [interpretava o personagem Macarrão] no SBT. Antes disso, fiz uma porrada de comercial, fui o Faustinho, trabalhei no [programa] do Faustão - no Jogo da Velha e era repórter - e fui repórter da Xuxa em 92, 93. Fiz o filme O Inspetor Faustão e o Mallandro. Tem na internet o vídeo do Rap do ovo. Nessa época eu já fazia rap! E é um clássico esse vídeo! Foi uma experiência boa.
Você saiu da TV, do mainstream, e hoje está no rap underground. Como você se sente? Depois que eu saí da TV, eu procurei não me perder. Corria atrás e via que o pessoal só lembrava do Faustinho. Ficava indo atrás e não arrumava nada, falei: "Vou arrumar um emprego de gente". Aí fui trabalhar de estoquista em loja. Virei vendedor. Como sou ator, vendia pra caramba. Não vou me perder, não. Você faz sucesso, cai e levanta de novo.
Sente falta dessa época? Sinto, foi bom pra caramba. Tudo o que eu faço, faço com gosto. Eu nasci para ser artista. Se eu não for na música, vai ser atuando. Quando a minha mãe [que faz parte do grupo de Teatro Mambembe de Repertório] precisa de ator, eu estou lá. Tem uns personagens que eu sei fazer.
Falou com o Faustão depois desse tempo todo? Não falei, mas um dia eu vou aparecer lá, mas sem ligar e avisar antes. Quando eu estiver lá, vou falar: "Você lembra de mim?". Um dia quero estar lá pelos meus méritos, não uma coisa premeditada. Ele vai falar: "Nossa, você virou isso?" [risos].
Ouça os últimos singles produzidos pelo DJ Caíque:
Pizzol - "Vivo a voar" (com participação de Doncesão)
Doncesão - "Cara de palhaço"
Ogi - "Premonição"
Jise - "Me" (faixa produzida para o selo Creative Juices
O Indie Hip Hop desse ano marca 10 anos da festa Dulôco ( primeiro grande festival de Hip Hop realizado pelo SESC-SP ). Talvez por isso a organização, que sempre manda muito bem nas atrações, tenha resolvido fazer história.
Primeiro Mos Def. Lenda é provavelmente uma palavras perfeita pra definir esse MC, o Brooklyn nunca mais foi o mesmo depois que ele nasceu. Seu disco novo coroa seu posto de um dos Mcs mais consistentes na cena do hip hop mundial. O que me deixou mais curioso é o fato de a banda Black Rio fazer uma participação no show do rapper - mistura boa com certeza vai sair !
Pra quem não conhece, a Rock Steady Crew foi a principal crew de B-Boys da história do hiphop mundial. Talvez por isso seja tão importante a vinda de Ken Swift ao Brasil. Ken Swift foi o Vice- Presidente dessa crew e cravou seu nome na história.
Além desses dois nomes de peso, o festival ainda conta com a participação do Dj Mista Sinista, um dos mestres do turntablism e integrante da lendária orquestra de toca-discos X-Ecutioners .
Agora não se deixe enganar: os brasileiros estão MUITO bem representados !
Coroando a santíssima trindade do hiphop, OsGemeos & Convidados (!!!!!) estarão representando o grafite de São Paulo.
Fila imensa, dei sorte de uma amiga chegar antes e comprar o ingresso pra mim. Sucesso absoluto, como era de se esperar, do meu colega de blog aqui na Trip. João Wainer e Roberto T. Oliveira conseguiram o que muitos tentam há alguns anos, mostrar a verdade na pixação de São Paulo. É complicado, acredite, muitas pessoas, muitas histórias, muitas tretas, nada em torno da pixação é fácil de compreender e é essa a ideia. BICO FICA DE FORA.
Só quem realmente fez ou faz parte disso pode falar com propriedade do que se trata.E o filme PIXO traz essas pessoas que fazem parte do seu dia a dia na cidade e você nem sabe quem são.
Fiquei realmente orgulhoso do filme, por ser um paulistano apaixonado, por ter inúmeros amigos que fazem parte disso, por ser um apreciador da pixação de fato. Tem gente que vai falar:
" Porra, mas você gosta mesmo dessa merda ? "
São Paulo é um caldeirão criativo cheio de pobreza, miséria, dinheiro, carros, ônibus, metrô, carroças, mendigos, putas, policiais, políticos, trabalhadores, prédios, casas, bairros, vilas, quebradas, favelas...
Como criticar, sem pelo menos tentar entender ? Assista o filme e, mesmo que você não goste ou não entenda, garanto que vai prestar mais atenção ao seu redor...
Na minha opinião um filme pra ficar na história dessa cidade e de todos que vivem nela, Nova York, Barcelona ... amigão, São Paulo é selva e acredite: só os fortes sobrevivem.
Pra quem não sabe, a marca de skate Santa Cruz Skateboarding marcou toda um geração. Um de seus desenhos mais famoso foi a Screaming Hand:
Santa Cruz Screaming Hand
No mesmo ano em que a Hand se tornou símbolo da cultura do skate, o modelo PUMA First Round estrelava a capa da revista de skate THRASHER.
Agora a Hand está de volta com muita elegância:
Com apenas 500 pares produzidos no mundo todo, acompanha 3 pares de cadarços. Apenas 30 pares vieram para o Brasil e 17 camisetas estão diponíveis na PUMA do Shopping Morumbi. Acho que se correr ainda dá tempo, eim?!
Inovar sempre foi norma da casa, dessa vez não ia ser diferente. A Trip se junta com a famosa marca de bonés NewEra e lança esse modelo exclusivo.
O mais legal dessa "colab" ( colaboração de duas marcas para a fabricação de um produto específico) é que foram feitos somente 144, distruibuídos para o que chamamos de "Friends & Family", colaboradores e amigos da revista que ajudaram a construir esses 23 anos de história.
Uma honra anunciar tal parceria aqui no meu blog, visto que sou grande fã da marca NewEra e colaborador diário da Trip.
Simplicidade é a alma do negócio, o logo da Trip bordado em cinza no canto com a seguinte frase em baixo "preserva essa área" . Muito classe! Com vocês TRIP X NEWERA Apresentam : TRIP PRESERVA ESSA ÁREA 59FIFTY .
Nesse sábado dia 17/10/09 rola a vernissagem da expo Tsc - "10 anos de Swing e Magia " no espaço à na Vila Madalena.
TSC é uma das mais antigas crews de graffiti de São Paulo, sempre buscando os melhores e mais ousados "picos" da cidade, essa turma cravou seu nome e respeito na cena do graffiti de São Paulo.
Paralelo à abertura da expo rola um pocket show de dois nomes que vêm se destacando no cenário do rap nascional: Don Cesão e Ogi.
Don Cesão é nascido e (mal)criado na cidade de São Paulo, lançou seu primeiro disco no ano passado entitulado "Primeiramente" e ainda realizou um sonho pessoal abrindo o show do MC americano Talib Kweli, no Indie HipHop.
Membro da crew 360 graus records, Don Cesão já está trabalhando no seu segundo trabalho, com lançamento marcado para o início do ano que vem.
Uma prévia desse novo trabalho é o single " Cara de Palhaço" disponível para stream e download em seu myspace .
Ogi, também membro da crew 360 graus e membro do grupo Contrafluxo ,mostra um pouco do seu primeiro trabalho solo, entitulado " Crônicas da Cidade Cinza".O primeiro single, " Premonição", já está disponível para ouvir e download em seu myspace .