Revista Trip

 
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Postado em 10.06.2010 | 22:06 | Mauro Refosco
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A um tempinho atrás estava no camarim em Boston depois da passagem de som do AFP, começamos a conversar sobre esportes e dai eu perguntei se alguém  gostava de futebol,  foram todos meio evasivos e deu pra perceber que esse não era o interessa geral da galera. O Flea foi o único que continuou o assunto, mas tentou insistentemente desviar para o basquete, pelo qual é um fanático  de um conhecimento enciclopédico sobre o assunto, torcedor dos Lakers de carteirinha que tem uma cadeira cativa na beira da quadra. Insisti no futebol e ele me disse que na copa iria torcer para algum pais africano. 

 

Na volta ao Teatro, pouquinho antes da gente entrar pra fazer o show daquela noite, vejo o Flea e não me agüentei, tive que pedir para tirar uma foto. 

Eis o sujeito vestido  com as cores do escrete brasileiro: calça verde, camisa amarela e cabelo azul, nem sabia ele que tava parecendo um mascote do Brasil, uma pulga canarinho.

Abraços,

Mauro Refosco

Flea

Flea


 

 

 

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Postado em 11.11.2009 | 19:11 | Mauro Refosco
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BASTARDO!!!
A chegada em Fiesole nas redondezas de Firenze foi uma aventura para os motoristas. Os três ônibus e o caminhão passaram por ruas muito estreitas causando alvoroço entre os moradores locais, principalmente numa senhora que saiu da sua casa esbravejando “bastardo, bastardo”. O pior é que ela falava com um megafonezinho encostado na garganta, então a coisa ficava mais caótica ainda. Não contente com a balburdia causada na manhã de sábado, ela chamou a polícia. Que veio, olhou aquele movimento todo, e disse: “só isso?... hmmmmm, tudo certo, pode seguir adiante”, pra desespero da senhora italiana, que continuava gritando “bastardo, bastardo”!!!!! Virou a piada da turnê.

Eu, como estava dormindo, perdi isso tudo, só sentia levemente na minha cama o sacudir do ônibus fazendo mais manobras do que o normal. Quando acordei entendi a razão. Estávamos parados na encosta de um morro com ruas de acesso bem estreitas.  Os motoristas estavam de parabéns.

Imagem: Mauro Refosco

Firenze

Firenze


Como era tudo muito montanhoso, pedalar ficou fora dos planos. Assim pegamos um taxi e nos mandamos para o centro de Firenze, que é uma das coisas mais belas que existem na Itália. Eu tinha encontro marcado com os meus amigos italianos da Ponderosa Music que iam me levar num restaurante conhecido do pessoal brasileiro que passa por lá. Recentemente esse mesmo pessoal levou lá as turmas da Vanessa da Mata e da Orquestra Imperial.

Mauro Refosco

Não deu outra, tiro certeiro, almoço maravilhoso, leve, e que deixa a gente contando os minutos pra comer de novo. Na volta tivemos tempo de visitar uma igreja no alto da montanha, de onde se avistava Firenze. Interessante notar que a construção dessa igreja foi feita em cima de duas outras igrejas, ou seja, ela começou uma capelinha pequena, tomou importância, virou uma igreja, e daí, mais importante ainda, virou uma igreja maior. Ainda da pra ver as três fazes da evolução “igrejística” dessa bendita.

O show foi num teatro romano datado de I AC. Da pra ter idéia da emoção? Tocar numa coisa construída a mais de 2000 anos. E tem mais, na verdade o teatro fazia parte de um complexo sócio cultural onde havia banhos romanos, com várias piscinas, saunas e salas de descanso. Os caras já sabiam como viver bem há muito tempo.
O show, não precisa dizer, foi mágico. A platéia calorosa, o local especial, o show seguido de um jantar regado ao melhor vinho da região, a nossa crew em paz com a crew local (desta vez tudo funcionou nos conformes) tudo isso fez a nossa família feliz da vida. Tocamos talvez o melhor show até o momento, na minha opinião.

Na partida em direção Roma para um dia de folga, os motoristas deixaram um presentinho para a senhora que chamou a polícia. Em vez de esvaziarem o toilet no lugar apropriado, puxaram a descarga bem na frente da casa da tal, que deve ter acordado no dia seguinte gritando. ‘BAAAAAAAASTAAAAAAAAAARRRDOOOOOOSSSS’

Abcs

 

Mauro

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Postado em 27.10.2009 | 19:10 | Mauro Refosco
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Itália!
Paraíso para os músicos, inferno para a equipe de uma turnê. Deixa eu explicar.
A nossa crew é toda composta de gringos, o tour manager é inglês um cara que toma chá pontualmente as 5 da tarde, o  production manager é um irlandês canadense, que trabalha 25 horas nos 8 dias da semana,  os outros,  americanos e uma neo zelandesa que estão na labuta em média de 15 horas por dia em dias de show.
 
Essa turma na Itália tomou um banho da equipe local,  onde o pessoal é culturalmente mais relaxado, tira 2 horas pra almoçar, com calma e celular desligado, e depois ainda tira uma pestana.  A coisa pega!!!!

Foi o que aconteceu quando chegamos ao soundcheck em Grado, uma cidade balneário no mar Adriático. O Keith (tour manager) estava agarrado ao pescoço do promotor e o Mark E.(production manager) estava mais vermelho que um pimentão, de tanto gritar com os italianos, que, quanto mais eram ralados, menos faziam.

Simplesmente não tivemos soundcheck, por vários motivos. De acordo com a nossa equipe foi pela falta de disciplina dos italianos, de acordo com os italianos, sei lá… ninguém sabe, nem mesmo eles, mas ficou uma situação engraçada.

Esta cena dantesca foi logo esquecida com um mergulho no Adriático, logo ali na frente. Olha só essa foto do palco, o mar maravilhoso ali nos convidando para esfriar a cabeça e esquecer qualquer problema, já que no fundo todo mundo sabe que na hora H o lance sempre funciona certinho. Fiquei horas boiando e dando braçadas de lá pra cá, já que não existem ondas pra pegar um jacaré.

Mauro Refosco


Mais cedo Paul, Graham e eu demos umas bandas de bicicleta pelas praias de Grado. Não é o Brasil, nem de perto, mas compensou quando sentamos pra comer um peixe com pasta e vinho branco, acompanhado por um gelato de limão.

No fim da noite, depois do show, continuando a batalha das Crews, os italianos deram mais um baile nos já destroçados gringos. Como as ruas de Grado são muito estreitas para o caminhão da turnê chegar próximo ao palco, foi usado um caminhão menor fornecido pelo promotor local, para fazer o translado do caminhão estacionado até o palco. O ‘causo’ foi que o motorista do caminhão, junto com os chapas que estavam fazendo o carreto, se arretaram com o Mark, e, foram embora.
Só voltaram depois de algumas horas e milhões de pedidos de perdão. Ahahah, eu fiquei só rindo.

Abcs,

Mauro

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Postado em 08.10.2009 | 22:10 | Mauro Refosco
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Subir pedalando uma ladeira de quase 2KM.

Quem já tentou uma loucura dessas além dos ciclistas profissionais e os amantes das bicicletas? Eu não me considero dentro dessas categorias, bicicleta pra mim, nas atuais circunstâncias é somente um meio de transporte, pra facilitar a locomoção e poder descobrir coisas nas cidades em que estamos passando.

Bom, por acaso, fiz a besteira de encarar uma ladeira dessas. Acompanhado do Graham, o baterista da banda. Saímos do lugar onde o ônibus estava estacionado, próximo a um depósito de materiais de construção, e fomos em direção ao local do concerto, no centro da cidade. Um castelo muito antigo.

A culpa foi do google maps.

Mauro Refosco

 Quando você olha na tela do computador, a planta de uma cidade, ela parece toda lisinha, plana, sem nenhuma inclinação. É tudo bonito, perfeito e “bicicletável” em todos os níveis. Surpresa da gente quando chegamos ao lugar marcado no mapa dizendo “aqui é o castelo”, só tinha uma morro na nossa frente, todo coberto por uma floresta. Perguntei para uma senhora e ela confirmou: “é aqui sim, sé subir essa rua, e lá no topo tem um local onde fazem shows”. Resolvemos encarar a situação, vamos subir essa porra pedalando. Ahahah, conseguimos, mas foi uma luta, e no final foi engraçado pois começamos a competir pra ver quem chegaria primeiro. Claro que o seu blogueiro foi o vencedor!

Castelo lindo, ereto to topo de uma rocha. Coisas que a gente não encontra em outro lugar no mundo a não ser na Europa.

Na volta ao ônibus  após o concerto, ladeira abaixo, o santo ajudou e muito.  Mãos nos freios o tempo todo, descobrimos que havia um bondinho que todo mundo pega pra subir ao castelo. Too late pra gente, pelo menos valeu o exercício.

Chegando no ônibus depois de pedalar, fui durmir tranquilo, no dia seguinte ia acordar na Italia, meu pais favorito pra fazer turne. Comida boa, povo caloroso e visual classico, fiquem colados no blog que já já chegam as histórias macarrônicas.

Abcs

 

Mauro

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Postado em 28.09.2009 | 11:09 | Mauro Refosco
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Reencontramos o Danúbio.

Longa essa viagem de Varsóvia a Budapeste. Chegamos por volta do meio dia. 12 horas de busão para passar um dia de folga nesta linda cidade, na qual eu nunca havia pisado antes, em todas as minhas idas a Europa. Cheio de planos.

Budapeste é uma cidade com uma história muito interessante. Fundada no século 1 da era cristã, por romanos, foi invadida pelos turcos e otomanos e retomada pelos austro húngaros em 1700. Preservada dos bombardeiros na segunda guerra por se deixar ocupar pelos nazistas (cerca de 250.000 judeus foram mortos) virou parte do Bloco Soviético até a queda do muro de Berlin, quando se reintegra à Comunidade Européia. Com esse monte de acontecimentos, Budapeste se fez uma cidade extremamente única. Muita cultura e história. Vambora pedalar e descobrir?

Chegando ao Hotel lá pelo meio dia, botamos as malas no quarto e saímos, Natalie, Graham, Steven e eu, direto a um banho turco que é super conhecido por lá. Um complexo com todos os tipos de saunas e piscinas, quentes, frias, indoor, outdoors, sauna úmida, seca e essa coisas  maravilhosas. Um bom começo para um dia de descanso.

Olha a foto que a Natalie tirou de um casal sapeca ai.

Piscina

Piscina

 

As 3 da tarde rolou um passeio de bicicleta com um monte de gente. Alem de 7 da nossa turma, apareceram a Danielle Spencer, o David, o namorado dela e o seus amigos budapestinos. Danielle é responsável por toda a direção de arte dos projetos do David, capa de discos, livros, posters, cuida do website, uma fera no assunto. Quando pequena o pai dela, um famoso matemático, morou alguns anos em Budapeste, então ela fala um pouco de húngaro e também tem velhos conhecidos que serão nossos guias. O David, namorado da Danielle, é um neurocirurgião que está na Hungria dando uma palestra. Aqui um momento kodak do nosso giro.

Budapeste virou uma cidade cosmopolita depois que foi integrada à comunidade européia. Muita gente nas ruas, cultura forte, música, bares, teatro. Diria que é a nova Paris, a não ser pela língua que eles falam que é uma desgraça pra entender. Aliás, só depois de beber muita vodka você consegue manter uma conversa ‘normal' em hungarês.

No dia seguinte rolou um corte de cabelo coletivo com uma sugestão da Natalie. Todos bonitinhos fomos de bicicleta pro parque milenaris, local do concerto, que fica no lado buda. Budapeste pra quem não conhece é dividida em dois lados, de um lado do Danúbio esta buda, do outro peste. Um mais urbano, artístico e cultural, outro mais residencial, menos globalizado, mas ambos maravilhosos.

Depois do concerto rolou um get together num barzinho chamado K, toda a decoração do lugar era feito com grafite de símbolos e pessoas famosos do comunismo. Deu meia noite, hora de subir no busão e se mandar de volta pra Áustria, so que agora numa cidade chamada Graz.

K Bar Budapest

K Bar Budapest

 

Abcs,

Mauro

 

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Postado em 17.09.2009 | 11:09 | Mauro Refosco
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Quando acordo já perto do meio dia reparo que o onibus tá cheio. Ninguém tinha ido ao hotel ainda. Estamos parados num terreno atrás do clube onde  tocaremos.
Depois de um café da manhã com PG Tips e torrada com peanut butter., saímos pedalando em direção ao centro de Varsóvia.
 
Com avenidas largas e planas, Varsóvia não é uma típica cidade européia. Talvez pelo fato de ter sido completamente destruida durante a segunda guerra, a reconstrução possibilitou essas avenidas grandonas.
O centro porém foi reconstruído como era antigamente = reustarado( ?) um trabalho meticuloso e muito bonito. Os prédios da cidade antiga todos refeitos como era antes da guerra.
 
A Jenni tinha reservado uma mesa num restaurante chamado U KUCHARZY tradicionalíssimo de comida polonesa. Ela já tinha estado lá quando em tour com o Lou Reed no ano passado.
Eu provei de Pierogi e uma Sopa Bosh que foi a melhor que ja experiementei na minha vida, coisa de louco, olha só a foto da sopa.

Sopa Bosh

Sopa Bosh


No regresso ao local do concerto passeamos pela cidade antiga e em frente a um prédio muito típico e histórico. Presente de Moscou, do tempo em que a Polônia ainda era parte do Bloco Soviético. Neste prédio rolavam os encontros do Pacto de Varsóvia. Atualmente o auditório do pacto virou uma sala de concertos chamada congress hall, onde eu já me apresentei em outras ocasiões com o David, a Bebel e a minha banda o Forro In The Dark.

Congress Hall

Congress Hall


O concerto foi deferente hj porque tocamos num clube de rock and roll. Nesta tour estamos tocando mais em salas de concerto e festivais ao ar livre, então tocar num clube de rock faz uma grande diferença. Mais fumaça, mais sour, mais apertado, as pessoas em pé desde o começo do show dançam até a última música. O maior barato.
 
Abraços,
 
Mauro

 

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Postado em 07.09.2009 | 11:09 | Mauro Refosco
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Quem conhece a fera chamada Maceo Parker?, Aqui tem um vídeo que eu encontrei no YouTube, dele tocando um solo alucinante numa música do James Brown chamada Mother Popcorn. Saca só la no fim da música o dueto que ele e o James fazem, é uma lição de dança e swing.

 

Pois é, estamos em Ostrava na Republica Checa, tocando num festival maravilhoso chamado Colours Of Ostrava, e dividimos o palco com este tal de Maceo Parker. Foi o maior barato, vendo todos os checos sujos de lama dançarem ao som do funkeiro Americano.

Tocar em festivais geralmente significa nao ter passagem de som. Como são várias bandas dividindo o mesmo palco durante o dia todo, não há tempo suficiente para fazer o soundcheck. Entre uma banda e outra, tem a troca de palco onde a equipe técnica faz somente um teste dos microfones pra ter certeza que ta tudo funcionando, e na hora do show a gente sobe no palco e começa a tocar direto. Se tiver coisa a ser ajustada, vai ser durante a primeira ou a segunda música. Mas como a nossa técnica é de prima, o som geralmente está impecável e nada precisa ser mexido. Uma maravilha!

Com tempo de sobra para passear eu fui assistir a Copa Davis, torneio de tenis entre nações. Os Argentinos estavam disputando as quartas de finais contra os Checos, e tomaram pau no final das contas, 3x2 para os Checos.

 

Copa Davis

Copa Davis

 

Na volta pro hotel passo por uma metalúrgica gigante. Era fábrica que não acabava mais, coisa impressionante o tamanho e também o fato de estar meio abandonada. O David escreveu um artigo interessante sobre isso no blog que ele mantém no seu site, aqui está o link. http://journal.davidbyrne.com/2009/07/071309-ostrava-czech-republic.html,

Abraços,

Mauro

 

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Postado em 24.08.2009 | 09:08 | Mauro Refosco
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Geralmente um Hotel bacana, 4 ou 5 estrelas, muito de vez em quando um pulgueiro!
Ok, todos os dias em tour o Keith nosso tour manager, a banda, cantores e dançarinos têm um quarto de hotel disponível, 12 quartos no total. O pessoal da equipe só tem hotel quando é dia de folga, eles não têm muito tempo durante o dia e passam horas trabalhando na montagem do palco, instrumentos, luzes essas coisas todas. No local do concerto o promotor deve providenciar 3 refeições para a equipe, café da manha, almoço e janta, e sempre fica uma lambisgoiasinha ali pros caras ficarem comendo, frutas, bolinho, café, chá, coisas do gênero.

Como viajamos à noite e acordamos no ônibus lá pelas 10 ou 11 da manha, e o check out do hotel é as 3 da tarde, são poucas horas que se pode desfrutar do quarto. Muitos acabam “vendendo” o mesmo. O deal é o seguinte: $85 nos EUA ou €85 na Europa, nada mal, considerando que você iria usar o quarto por meras 3 ou 4 horas. Claro que um quarto de hotel custa mais do que isso, então a “venda” do quarto e bom para todos as partes, o David economiza uma grana e acaba rolando um dim dim extra.

Quando acordo em Viena, eu tinha “vendido” o meu quarto de hotel, o ônibus já estava estacionado no Open Air Arena, local do concerto. Corro pra pegar o resto do café da manha da crew, e como oque tinha sobrado: salsicha com mostarda, só não tomo cerveja junto porque ai seria brabo enfrentar a jornada de bicicleta que a gente tava programando.

No onibus só não esta o Mark D. que já tinham ido pro hotel, eu, David, Graham, Paul e Steven armamos as bicicletas, checamos os mapas e partimos em direção ao centro da cidade. Pedalamos na beira do Rio Danúbio. Árvores, flores, pássaros, patos e etc… tudo muito lindo, tudo muito europeu, tirei umas fotos de uns grafites interessantes, não creio que são os gêmeos, como eu já tinha visto em outras cidades, mas são legais, olha só.

Viena Grafite

Viena Grafite


Fomos a um museu que se chama http://www.kunsthauswien.com/de/mh/index.html, todo dedicado a obra de um artista local chamado Friedrich Stowasser ou Hundertwasser como ele se auto denominava.

Museum Hundertwasser

Museum Hundertwasser


Esse cara fez de tudo um pouco, pintura escultura, velejou o mundo todo, apresentava conferências completamente pelado e rodeado de lindas modelos, um rapaz estravagante. Mas ele ficou famoso mesmo pelos prédios que construiu, afinal de contas ele era arquiteto também.
O estilo arquitetônico é uma descarada cópia do que Gaudi fez no começo do século.

 

 

Hora do soundcheck e nós já estamos de volta ao Open Air Arena. Vejo um set list de uma banda que tinha tocado na noite anterior. SEPULTURA. Pergunto ao promotor  como foi o show, e ele diz que tinha sido mais ou menos, somente 600 pessoas compareceram. Acho que os irmãos Cavalera realmente fazem falta na banda.

Abcs

Mauro

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Postado em 20.08.2009 | 19:08 | Mauro Refosco
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Quando acordo reparo que o Keith não está no onibus. O David me pergunta, ‘você não sabe oq ue aconteceu?’, e conta que não deixaram a  Kaissa passar pela Croácia e que ambos tiveram que retornar a Belgrado.

Agora eu entendi por que a passagem pela fronteira entre Sérvia e Croácia demorou uma eternidade.

A Kaissa é de Camarões, país da costa oeste africana. Processar pedidos de visto e encarar fronteiras com um passaporte africano não é uma tarefa das mais prazerosas. Na verdade, é um saco. Eu tive alguns problemas no passado quando viajava com o meu passaporte brasileiro.

Oque aconteceu foi o seguinte: como o roteiro da turnê tinha sido alterado alguns meses antes, e não iriamos mais ter shows na Croácia, ninguém se preocupou com o pedido de visto neste país. Só que entre Sérvia e Eslovênia, existe a Croácia no meio, e ela tinha que ter um visto de trânsito.

Eles voltaram a Belgrado, pagaram um mico, tiraram o bendito visto de trânsito, se juntando a nós lá pela meia-noite do dia de folga.

Eslovênia é uma cidadezinha típica européia, uma tetéia. Um rio que cruza a cidade com vários cafés a sua beira, um castelo no topo da montanha, os velhos trens que circulam pelas ruas de pedra, um mercado público onde se come peixe frito e mexilhões. Cidade perfeita para recarregar as baterias.

Na minha ida de bicicleta até a quadra de tenis em que eu tinha um sessão marcada com um treinador, reparo que todas as casas têm um jardim com verduras. Tudo parece ser tão bucólico, neste lugar o tempo não passou.

À noite fomos todos a um restaurante que tinha sido recomendado por alguns amigos. Engraçado que o restaurante tinha dois menus. Um mais chique e caro, e outro mais popular. O garcom explicou que na verdade eram dois restaurantes distintos que compartilhavam o mesmo espaço. Idéia estranha, mas que funcionou legal com a gente.  Bebemos muito vinho e comemos muito bem, rimos e contamos estórias. Depois passamos no “melhor gelato” da city, e o pistachio com chocolate foi o grande favorito da turma toda.

Até a próxima.

Mauro

Show

Show


 

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Postado em 12.08.2009 | 12:08 | Mauro Refosco
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Belgrado, a terceira cidade mais antiga da Europa após Atenas e Roma, é a nossa terceira parada!


Chegamos no hotel de manha, depois de viajar a noite toda. Dormir num tour bus não é das coisas mais aconchegantes, mas depois de alguns dias o corpo acostuma, o barulho do motor e o sacudir da carroçeria acaba virando cantiga de ninar. Uma fotinho aqui das camas do busão.

camas

camas


Em Belgrado, eu perdi a hora que a galera saiu pra passear de bicicleta, mas como sobrou uma, lá vou eu de novo em carreira solo. Vou direto pra cidade velha, que é toda construída em volta de uma castelo no topo de um morro com uma vista para o encontro dos rios. O Danúbio é mais encorpado, mais forte, tem mais caráter, passa por várias capitais da Europa, um rio histórico,  o Sava, mais tímido se rende a força do Danúbio, se junta a ele e desagua no mar negro. Um ponto estratégico para o surgimento de um povoado.

A cidade é vibrante com cafés, shopping malls e muitos turistas. Dou uma de turista, tiro fotos, faço aquele passeio tradicional e me deparo com o resto do grupo, que além do David, estão o Graham, Natalie e o Ray, eles me dizem que em baixo do morro, na beira do rio esta tendo um torneio de tenis, eu como praticante amador e aficcionado, toco ladeira abaixo.

É um torneio de tenis universitário de vários países do mundo todo, inclusive vejo a bandeira brasileira asteada. Assisto a algumas partidas e fico impressionado com as beldades do leste europeu, russas, belorussas, sérvias, ucranianas, eslovacas, tchecas e a lista vai longe. Mulheres lindas, pernas longas, atitude vencedora, atléticas, deusas do esporte, quase me fazem perder a hora do soundcheck.

Novamente tocamos numa sala de concerto em que eu já havia estado antes, o Sava Center e um auditório gigantesco. O show é um sucesso, uma calorosa platéia  que faz a gente voltar ao palco por 3 vezes.

Meia noite e meia. Hora de entrar no ônibus e partir pra próxima parada.

Até breve.

Mauro

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