Revista Trip

 
tamanho da letra
aumentar fonte
diminuir fonte
Tópico: Biosfera
icone postado
Postado em 23.02.2010 | 12:02 | Fernanda Danelon
divisão
O Brasil é líder no ranking de lixo eletrônico entre os chamados países emergentes. Em relatório lançado pela ONU, que apresentou ontem seu primeiro estudo sobre o tema, o brasileiro descarta meio quilo de lixo eletrônico por ano. São 96,8 mil toneladas de computadores jogados fora todo ano, o que faz o Brasil superar o descarte per capita de nações como a China e a ìndia. O Greenpeace estima que de 20 a 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico são geradas no mundo a cada ano. Segundo a ONG, o chamado e-waste (e-lixo) responde hoje por 5% de todo o lixo sólido do mundo, quantia similar à das embalagens plásticas. Esses equipamentos contêm centenas de diferentes materiais – um celular, exemplifica o Greenpeace, tem de 500 a 1 mil componentes diferentes. Na composição de muitos deles há metais pesados, como mercúrio, cádmio e chumbo, que podem poluir o ambiente e prejudicar a saúde das pessoas. Para ficar longe do problema, muitos países ricos exportam seu lixo eletrônico para nações pobres. Bom, diante desse cenário alarmante, e na falta de grandes estratégias públicas e privadas para lidar com os inerentes riscos, profissionais da USP (Universidade de São Paulo) criaram um centro de coleta e reciclagem de lixo eletrônico. Desde dezembro, quando começou a funcionar, o projeto já montou dez PCs remanufaturados, construídos a partir de peças coletadas de diferentes máquinas. Os computadores serão emprestados para ONGs que trabalham com inclusão digital. A partir de abril, o centro de reciclagem começa a receber doações do público.

Vai lá: E-mail para informações: cce@usp.br">cedir.cce@usp.br Telefones: (11) 3091-6454/6455

divisão
  • Avaliar:(0)   avaliar mais   avaliar menos
  • favoritar
  • favoritar
  • ler depois
  • ler depois
  • imprimir
  • imprimir
  • comentários
  • (0) comentários
  • fechar janela
    Você precisa estar logado para realizar esta operação
    Entrar
icone postado
Postado em 13.01.2010 | 11:01 | Fernanda Danelon
divisão
O terrível terremoto que assolou o Haiti e outros países caribenhos no dia 12 de janeiro levou, além de 14 militares brasileiros que participavam da missão de paz da ONU em terras haitianas, a querida Zilda Arns. Médica pediatra e sanitarista, Zilda Arns era fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa, órgão de Ação Social da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Indicada por três vezes ao Prêmio Nobel da Paz, Zilda também foi uma das homenageadas do Prêmio Trip Transformadores 2007. Zilda faleceu aos 75 anos, boa parte deles dedicada à saúde pública, lutando contra a desnutrição, a falta de informação e os altos índices de violência doméstica, Zilda foi responsável pela vida de quase 20% das crianças e gestantes de origem pobre em todo o território brasileiro.

Nascida em Forquilhinha, Santa Catarina, ela formou-se em medicina e encontrou, no convívio com as crianças, a sua força transformadora. Do setor de pediatria de um hospital comunitário de Curitiba, logo foi nomeada diretora de Saúde Materno-Infantil da Secretaria de Saúde do Paraná, chegando inclusive a se especializar em pediatria social na Colômbia. Em 1983, finalmente aceitou o convite da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e da UNICEF para colocar em prática a Pastoral da Criança, entidade que hoje conta com 270 mil voluntários, espalhados por cerca de cinco mil municípios, conhecida por realizar visitas periódicas nas comunidades, educando para a prevenção de doenças e promovendo diversas ações, entre elas o Dia do Peso, criado justamente para medir e comemorar ao lado das famílias cada quilo adquirido pela criança. “Nossa Constituição diz que o governo é responsável pela família. Como isso não é feito totalmente, procuro fortalecer e deixar claro o papel dela”, ensinou.

Em 2004, depois de tornar conhecida a fórmula do soro caseiro e defender um melhor planejamento familiar, ela aceitou outro convite da CNBB, dessa vez para formar a Pastoral da Pessoa Idosa – que hoje acompanha de perto a saúde de 40 mil idosos em 280 municípios brasileiros. E Zilda Arns não parou por aí: assumiu um papel de destaque no Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e também no Conselho Nacional de Segurança Alimentar, ajudando com isso a reduzir ainda mais os índices de mortalidade infantil, além de divulgar uma cartilha, considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a mais completa para o desenvolvimento físico e humano da criança.

Entre os principais prêmios pelo reconhecimento de seu trabalho estão um título de “Heroína da Saúde Pública das Américas”, entregue pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), um diploma de “Mulher Cidadã”, concedido pelo Senado Federal em 2005, e uma “Medalha Pacificadora da ONU” no mesmo ano, além de ter seu nome incluído entre as mulheres mais influentes do Brasil, segundo a revista Forbes. Zilda Arns manteve ainda uma expressiva coleção de chaves de cidade: é cidadã honorária em mais de dez Estados brasileiros, entre eles Rio de Janeiro, Paraná e Mato Grosso do Sul, e chegou a ser indicada para concorrer ao Prêmio Nobel da Paz no ano passado. Zilda Arns continuará sendo símbolo de uma luta pela integração da família e saúde da criança, e lembrada para sempre pelos exemplos que serão seguidos.

divisão
  • Avaliar:(0)   avaliar mais   avaliar menos
  • favoritar
  • favoritar
  • ler depois
  • ler depois
  • imprimir
  • imprimir
  • comentários
  • (0) comentários
  • fechar janela
    Você precisa estar logado para realizar esta operação
    Entrar
icone postado
Postado em 16.12.2009 | 14:12 | Fernanda Danelon
divisão
Quando foi criado, termos tão na moda como “aquecimento global”, “stress”, “desigualdade social” ou “desenvolvimento sustentável” mal existiam. Elaborado no pós-guerra para avaliar a reconstrução dos países devastados, o PIB (Produto Interno Bruto) é o indicador da atividade econômica de uma nação mais utilizado no mundo. No entanto, no cenário catastrófico da crise atual – não só econômica, mas também ambiental e de qualidade de vida –, dirigentes de diversos países e também da ONU (Organização das Nações Unidas) têm questionado o índice do que chamam de velha e insustentável economia, apontando novos rumos para a organização socioeconômica mundial. A novidade maior é que essa preocupação começa a bater também aqui no Brasil.

Numa proposta desafiadora, uma elite de pensadores nacionais quer virar a mesa. “Não podemos mais nos basear no crescimento econômico permanente, pois nossos recursos naturais estão sendo dizimados pelo avanço tecnológico. Hoje temos desafios ambientais e sociais que também precisam ser medidos”, propõe o economista e professor da PUC-SP Ladislau Dowbor, durante o lançamento do livro Compêndio de sustentabilidade de nações. A obra reúne 25 indicadores alternativos ao PIB elaborados no Brasil e no mundo, organizados pela especialista em responsabilidade social Anne Louette. “O PIB está ultrapassado, pois crescimento econômico não se traduz em qualidade de vida. Crescer por crescer é a filosofia da élula cancerosa”, dizia ele no auditório da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, ressaltando a necessidade de “criar modelos de interdependência no lugar do atual modelo de independência”.

Google, Butão e Sarkozy

Pelo segundo ano consecutivo, o Google levou o título de marca mais valiosa do mundo, ultrapassando os US$ 100 bilhões. O sistema de buscas é multiplicador da informação, valor intangível cada vez mais relevante nos dias de hoje. “O bem de produção hoje é a informação. Precisamos deixar de ser uma sociedade de consumo para nos transformarmos numa sociedade do conhecimento”, afirma Reinaldo Pamponet, diretor da Eletrocooperativa, ONG que lançou um método de educação e geração de renda autossustentável, a Sevirologia. Através do portal na internet, jovens de todo o Brasil enviam produções em áudio e vídeo – a maioria feita com celular – e recebem por isso. “Sevirologia vem de 'se vire para vir a ser'. Queremos legitimar a sabedoria promovendo a transformação a partir do potencial de cada um.”

O Butão foi o país pioneiro a adotar oficialmente indicadores de sustentabilidade no fim de 2008, quando o governo real

oficializou o FIB (Felicidade Interna Bruta). Dentre os 25 indicadores reunidos no compêndio brasileiro, o FIB inspirou, por exemplo, os indicadores de “bem-estar psicológico” e “boa governança” (veja ao lado). E começam a pipocar demonstrações claras de que essa procura por novos caminhos é global e não restrita a nações antes consideradas exóticas, como o reino do Himalaia. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, por exemplo, deve apresentar este mês relatório elaborado por 27 especialistas que busca atualizar o PIB padrão, incorporando medidas de impacto da economia sobre ecossistemas e de avaliação da qualidade de vida e bem-estar. Como resumiu Ladislau, “pensar em explorar indefinidamente os recursos de um planeta finito só pode ser coisa de idiota... ou de economista”.

Termômetro alternativo
Novos indicadores além do velho PIB:

Pegada ecológica: mede a exploração dos recursos naturais e a velocidade com que eles podem se regenerar a partir desse uso.

Acesso ao conhecimento: avalia a alfabetização dos adultos, o percentual de alunos matriculados e a formação dos professores.

Pobreza humana: mede o acesso à água potável e a porcentagem de crianças desnutridas e de adultos desempregados há mais de um ano.

Bem-estar psicológico: mede a satisfação popular com a própria saúde física e mental, o tempo gasto com atividades de esporte lazer e o acesso a programas culturais.

Boa governança: confere o desempenho do governo no combate à corrupção, à violência, à discriminação racial e à desigualdade.

 

divisão
  • Avaliar:(0)   avaliar mais   avaliar menos
  • favoritar
  • favoritar
  • ler depois
  • ler depois
  • imprimir
  • imprimir
  • comentários
  • (0) comentários
  • fechar janela
    Você precisa estar logado para realizar esta operação
    Entrar
icone postado
Postado em 14.12.2009 | 18:12 | Fernanda Danelon
divisão

Lia Diskin

Lia Diskin

Criada em 1972, a Fundação Palas Athena promove, agencia e incuba programas e projetos nas áreas de Educação, Saúde, Direitos Humanos, Meio Ambiente e Promoção Social, a fim de aprimorar a convivência humana por meio da aproximação de culturas e articulação dos saberes. Não é subvencionada pelo governo, nem por instituições nacionais ou internacionais de quaisquer naturezas. Desenvolve, desde sua fundação, atividades e projetos diversos, sempre com recursos provindos da autogestão. Suas três unidades físicas contam com mais de cem funcionários e colaboradores voluntários, além de uma rede de parcerias com organizações governamentais, da sociedade civil, movimentos sociais e empresas. Quem procura participar de seus encontros e cursos, muitas vezes encontra uma fila de espera de quase um ano. Nas próximas linhas, saiba porquê as reflexões propostas pela Palas Athena têm potencial tão atraente e tranformador. Quem responde é Lia Diskin, co-fundadora:

01. A Palas Athena trabalha fundamentalmente com a democratização do acesso ao conhecimento. Isto faz parte do conceito de Cultura de Paz, não é?

Nós trabalhamos, sim, através do que se chama de Cultura de Paz, um dos grandes programas disseminados pela UNESCO, que é justamente democratizar o conhecimento. Ao manter espaços privilegiados de conhecimento, continua-se sustentando uma estrutura na qual o poder só se reproduz a si mesmo. Isto não apenas não é saudável democraticamente, como também termina viciando o próprio poder, por não receber novas variáveis. Tudo o que não se oxigena morre.

02. Qual é a capacidade de transformação do processo de disseminação do conhecimento?

Assim, democratizar o conhecimento e disponibilizar informações é um dos grandes objetivos da Fundação. Disponibilizar as fontes aonde essas informações acontecem, promover projetos que criam benefícios sociais. Aqui é um espaço de encontro de dezenas e dezenas de instituições não só não-governamentais, mas também instituições que fazem parte do Governo, grupos de secretarias do meio ambiente, educação, saúde, assistência social, do judiciário. E, nesses encontros, essas entidades fecundam-se mutuamente. Isso é que é extraordinário. Aprendemos que a diversidade não só tem que ser tolerada, como promovida. Porque na diversidade é que acontece a vida.

03. A que você atribui a grande procura atual pelos cursos e encontros promovidos pela Palas Athena?

Há um anseio hoje muito grande por coisas verdadeiras. Tudo se tornou um show, um espetáculo na sociedade atual. Hoje você está obrigado a ter sucesso, a ser feliz. Conceitos estapafúrdios, totalmente desarrazoados, que não têm lógica. O conceito de felicidade hoje está associado ao reconhecimento social, do maior número de pessoas possíveis, para se obter status. Ser reconhecido hoje é mais valioso do que o sucesso material, do que o poder de consumo. Se o reconhecimento está em primeiro lugar na escala de valores, é preciso ver que estamos numa sociedade de absoluto anonimato pessoal. Lembro-me de que ia à padaria em Buenos Aires, quando jovem, e o padeiro cumprimentava, perguntava pela família, sabia que meu irmão estava com sarampo... Esta relação que se estabelece no bairro onde se mora, dentro de uma comunidade, é absolutamente definidora para o princípio de segurança que não só os humanos precisam, mas que qualquer princípio de vida precisa.

04. Como assim?

Podemos dizer que temos dois grandes mecanismos: o princípio de segurança, aquele que vai dar conta da sobrevivência; e o princípio de desenvolvimento, aquilo que vai dar conta da transcendência. Se a segurança não está minimamente alicerçada, simplesmente não vai dar conta do desenvolvimento, não há como se desenvolver. Por mais talento e generosidade que tenha uma pessoa, não há energia disponível para o crescimento, porque está sendo tudo consumido pelo mecanismo de segurança. Quer ver isso em macro? Olhe para os recursos financeiros do mundo. Estão destinados prioritariamente para quê? Para o sistema de defesa. Em que investe mais os governos dos EUA e China? Defendemo-nos de quê? Defender-se de quem e de quê? Há um profundo desequilíbrio dos investimentos que se fazem... Quanto estamos pagando para nosso convenio de saúde? Quanto isso representa no orçamento mensal? Se a família tem crianças e pais idosos, como fica? Tudo isso vai criando uma atmosfera, uma temperatura interna na qual os mecanismos de saúde se manifestam como, por exemplo, a depressão, doença tão comum hoje em dia. Eu até considero a depressão um sinal de saúde, pois o organismo está dizendo: isso está errado! Assim não brinco, não me interessa!

05. Em que medida essa tendência de se morar hoje em condomínios grandes e auto-suficientes, para que seus moradores não precisem sair deles, reflete no funcionamento da sociedade?

Isolamento, isolamento, isso obviamente vai na contramarcha do princípio da vida. A vida é expansão! Expansão e agregação! Quando você se isola, está corrompendo o princípio vital, que dá sentido à vida, que assinala o futuro. É possível reverter esse processo. Mas para isso é preciso imensos investimentos pessoais e coletivos na reflexão. Não é uma questão de recursos financeiros. É mais exigente do que uma questão econômica. É reposicionar-se em relação ao sentido do que estou fazendo. O que estou fazendo atende às minhas necessidades? Estou atendendo ao meu chamado? Qual a minha vocação para a vida? O que eu espero dos outros é o que estou disposto a fazer pelos outros? E não falo em nenhum sentido astronômico, transcendente, inatingível não! É no sentido da minha cotidianidade.

06. Então há um paradoxo aí, entre a percepção de que há algo errado e a persistência num modelo que parece falido – quando se comemora, por exemplo, o fim da crise econômica mundial com o aumento da fabricação de veículos nas montadoras...

Entram no fluxo do trânsito paulistano cerca de 600 novos carros por dia. Infelizmente, não se sabe quantos saem, mas certamente o número é bem menor do que isso. Quando você assinala com propriedade que saímos da crise ao custo de inviabilizar a vida, como a do paulistano, por exemplo. Ontem tivemos um exemplo extraordinário. A chuva inviabilizou não só o trânsito mas, em casos concretos, inviabilizou a vida de pessoas. Temos mortes de pessoas provocadas por condições climáticas absolutamente já esperadas. Estamos de fato em contradições de estruturas sociais. Isso transborda em uma violência cada vez maior. Temos que questionar - e aí temos a reflexão outra vez -, se precisamos de tudo o que pensamos que precisamos. E se não estamos confundindo, como de fato fazemos, desejo com necessidade. A necessidade tem limite, como a necessidade fisiológica. Mas o desejo não tem limites. Esse transbordar se torna hediondo, perverso. Quais são nossas verdadeiras necessidades? Precisamos de mais carros nas ruas?

07. Vivemos então uma cultura do sucesso?

A busca de reconhecimento e notoriedade do outro fecha esse ciclo de afeto. Então cria a necessidade de se mostrar ao outro, que vai dar o reconhecimento. E, nesse reconhecimento, você encontra a satisfação e “o sentido da vida”. Estamos em muito maus lençóis! Temos que refletir juntos sobre isso. E por que juntos? Simplesmente porque temos uma bagagem, uma biografia pessoal, uma percepção pessoal a respeito do que se passa a si mesmo e aos outros, que é absolutamente única.

08. Como seria uma relação ideal entre os chamados primeiro, segundo e terceiro setores?

O ideal seria dúvida seria os três setores trabalhando juntos, isso seria maravilhoso. Essa mobilização de consciência que começa a acontecer tem só 20 anos. Isso é muito significativo e promissor, sinal de uma maturação por parte da sociedade. As empresas..., algumas ainda não assumiram as responsabilidades, mas certas empresas estão fazendo um trabalho exemplar. Empresas brasileiras realmente estão fazendo trabalhos que se tornam referencias mundiais. Não pelos seus produtos, mas pelos seus procedimentos, seu senso de responsabilidade e participação social, pela gestão de problemas nas comunidades onde essas empresas estão instaladas. Muitas empresas brasileiras estão se tornando referências mundiais em ações pioneiras.

09. O Brasil está se tornando referência mundial em empreendorismo social?

Sem dúvida temos uma dinâmica, uma arquitetura social extremamente salutar, em movimento. Está crescendo, inovando, temos exemplos como o Movimento Axé, conhecido mundialmente. Aqui em São Paulo, temos a comunidade Monte Azul, umas das mais dinâmicas e criativas, mais juvenis, de renovação de gerações. Que começou 40 anos atrás, quando ninguém falava nisso. O Brasil tem uma diversidade única. Com toda a injustiça que possa haver, com todo o preconceito que possa haver, a diversidade do povo brasileiro é sua maior riqueza. E essa diversidade dá frutos extraordinários. Temos centenas de nações indígenas, negros de muitas nações africanas e brancos de todas as nações, o que dá um caldo muito suculento. Do qual podemos nos orgulhar sabiamente, pois ainda temos muito o que fazer: crianças continuam nas ruas, o narcotráfico ainda controla as favelas...

10. Você acredita nas previsões climáticas catastróficas?

Lamento que seja a via dolorosa a desencadeante da consciência. É duro ter que chegar a isso. Os estudos e movimentos pela paz começaram nos últimos 50 anos, depois de a humanidade viver as duas grandes guerras, as mais terríveis da história. Lester Brown, quem cunhou o conceito de sustentabilidade, fez isso 40 anos atrás. Há 30 anos defende-se a preservação do meio ambiente. Sem dúvida, vamos presenciar situações dolorosíssimas e os mais atingidos serão, mais uma vez, os países mais pobres. Hoje, os conflitos se dão entre os muros de um mesmo país. Estamos encontrando níveis de intolerância cada vez mais agudos, sem conseguirmos conviver nem com o vizinho. É um estado de irritabilidade, impaciência e inquietação, para o qual a reflexão e o posicionamento de quais são os meus valores, são questões essenciais hoje.

11. Você acredita que esteja realmente ocorrendo uma mudança de consciência, ou é só marketing, querendo faturar em cima do conceito de sustentabilidade?

Estamos sendo solicitados para promover cursos e palestras nas secretarias do governo, dentro do Banco do Brasil, na diretoria da Petrobrás. Jamais a Fundação palas Athena faria parte do repertório dos órgãos públicos e empresas... Mas hoje temos que qualificar a capacidade de relacionamento, temos que humanizar a competência e talento dos funcionários. Para fugir do automatismo profissional e funcional, perdendo a capacidade de criar, renovar e inovar. A reflexão está se tornando absolutamente necessária, não é mais luxo. Hoje, pode-se mudar a profissão, há um descolamento nas ideias... Hoje não somos o que fazemos a vida toda, podemos mudar de ocupações, nos recriarmos, nos reinventarmos a partir dos nossos questionamentos.

12. Você acredita na união entre a ciência e a religião?

Hoje estamos vendo a união da ciência com a religião de forma estraordinária. Uma nova geração de cientistas da Unifesp, da USP, está fazendo trabalhos extraordinários nesse novo caminho entre os dois territórios que se isolaram preconceituasamente. A religião classificando a ciência de desumana e cega. A ciência qualificando a religião de incompetente, fantasiosa, desarrazoada, com o pensamento primitivo. Mas as novas gerações de cientistas e religiosos está construindo uma apromixação entre esses dois territórios. Em 1987, o Dalai Lama chamou cientistas do mundo todo para uma rodada de diálogos entre os monges do seu mosteiro. Biólogos, neurocientistas, especialistas em inteligência artificial, todos trabalhando na fronteira entre a ciência e os estudos da consciência. Por exemplo, como as práticas meditativas impactam na consciência e no cérebro. Como impacta no cérebro a qualidade do padrão mental que você alimenta e nutre no seu cotidano. A Organização Mundial de Saúde foi muito hábil ao propor, em 2002, a inclusão do que se chama de medicinas integrativas ou complentares como coadjuvantes do sistema de medicina convencial ocidental. O SUS vai disponibilizar remédios fitoterápicos agora.

12. Quais os planos para 2010?

Em 2010 vamos dar continuidade a uma série de seminários gratuitos chamados “Valores que não têm preço”, que estavam destinados aos professores da rede pública de ensino. E, agora, vamos implementar um programa semelhante, o “Da Reta à Curva”, também gratuito, destinado a todos os funcionários públicos. Primeiro, resgatando qual o sentido do público, que aparentemente se diluiu para o de que o público é “de ninguém”. Mas, ao contrário, o público é de todos, quer dizer, é de cada um. Conseqüentemente, eu tenho que me responsabilizar pelo público também. Assim, faremos seminários mensais destinados a todos os funcionários públicos. A Palas Athena não tem mais como atender às demandas que recebemos constantemente. Assim, chegamos à conclusão de que o melhor que a Palas Athena podia fazer era um programa que atenda a todos os funcionários públicos, independentemente de sua área de atuação.

Vai lá: www.palasathena.org.br

 

divisão
  • Avaliar:(0)   avaliar mais   avaliar menos
  • favoritar
  • favoritar
  • ler depois
  • ler depois
  • imprimir
  • imprimir
  • comentários
  • (0) comentários
  • fechar janela
    Você precisa estar logado para realizar esta operação
    Entrar
Tópico: Conexão
icone postado
Postado em 08.10.2009 | 13:10 | Fernanda Danelon
divisão


Conte sua história. Escolha a favorita. E ainda ganhe um MacBook. Vídeos de 1 minuto que inspiram atitudes e provocam transformação podem e devem ser vistos na campanha Histórias que Mudam o Mundo, realizada pelo Museu da Pessoa. A ideia é mobilizar internautas de todo o Brasil a contar histórias sobre os mais variados tipos de mudanças que podem acontecer na vida das pessoas. Vale qualquer uma que inspire outras atitudes transformadoras e novos olhares sobre o mundo. No site, o público envia seus próprios vídeos e vota em sua história favorita. Ao final da campanha, o autor do vídeo mais votado leva pra casa um MacBook.

Vai lá: www.museudapessoa.net

divisão
  • Avaliar:(0)   avaliar mais   avaliar menos
  • favoritar
  • favoritar
  • ler depois
  • ler depois
  • imprimir
  • imprimir
  • comentários
  • (0) comentários
  • fechar janela
    Você precisa estar logado para realizar esta operação
    Entrar
Tópico: Acolhimento
icone postado
Postado em 06.10.2009 | 10:10 | Fernanda Danelon
divisão
Ao invés de reclamar, colabore para a transformação social necessária. O Movimento Nossa São Paulo está desenvolvendo novos indicadores de sustentabilidade para melhorar a qualidade de vida na capital paulistana. Ajude a construir uma realidade mais justa respondendo ao questionário. Faça a sua parte! 

Vai lá: http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/8083

 

divisão
  • Avaliar:(0)   avaliar mais   avaliar menos
  • favoritar
  • favoritar
  • ler depois
  • ler depois
  • imprimir
  • imprimir
  • comentários
  • (0) comentários
  • fechar janela
    Você precisa estar logado para realizar esta operação
    Entrar
icone postado
Postado em 30.07.2009 | 19:07 | Fernanda Danelon
divisão

A historiadora Beatriz Nascimento, cuja vida é o fio dondutor da narrativa

A historiadora Beatriz Nascimento, cuja vida é o fio dondutor da narrativa

Ôrí é uma palavra africana que pode ser traduzida por "consciência negra". Ôrí pode derrubar o que séculos de escravidão imprimiram na cultura do Brasil: certo desprezo e uma incompreensão latente da revelância das culturas do continente africano na identidade do povo brasileiro. Muito além do samba e suas escolas; das rodas de capoeira e terreiros de candomblé, a verdade é que os hábitos de negros escravos africanos se misturaram aos costumes do cotidiano brasileiro. A rica e permanente troca de valores e identidades culturais resultou na carismática mistura que compõe hoje nosso país. E compreender essa interdependência nacional com a cultura africana nos ajuda a vislumbrar novas perspectivas ao problemas de nossa sociedade atual. Por isso o documentário de Raquel Gerber é relevante. A cineasta, socióloga e historiadora documentou os movimentos negros brasileiros entre 1977 e 1988 que aparecem no filme, cujo fio condutor é a vida de Beatriz Nascimento. A historiadora, falecida no Rio de Janeiro em 1995, defendia o quilombo como recuperação de parte da nacionalidade brasileira. Raquel Gerber começou as filmagens de "Ôrí" em 1977, quando criou, em São Paulo, uma produtora de documentários em 16mm; e lançou o filme em 1989. Agora, a Versátil lança versão remasterizada em DVD que chega às prateleiras hoje, com preço sugerido de R$ 39,90

Gilberto Gil participa de um dentre os inpúmeros movimentos políticos de consciência negra dos anos 80

Gilberto Gil participa de um dentre os inpúmeros movimentos políticos de consciência negra dos anos 80

divisão
  • Avaliar:(0)   avaliar mais   avaliar menos
  • favoritar
  • favoritar
  • ler depois
  • ler depois
  • imprimir
  • imprimir
  • comentários
  • (1) comentários
  • fechar janela
    Você precisa estar logado para realizar esta operação
    Entrar
CATEGORIAS

 


ARQUIVO
TAGS