Revista Trip

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Postado em 20.02.2008 | 13:16 | por Cirilo Dias
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UMA FESTA NO RIO EM QUE UM DJ BRASILEIRO TOCA FUNK PARA ESPANHÓIS DANÇAREM EM BARCELONA SE TRANSFORMA EM UMA RAVE VIRTUAL. OU UMA RAVE DE VERDADE?

POR RONALDO LEMOS*

Uma janela para o futuro abriu-se em uma sala da PUC no Rio de Janeiro. Nos dias 25 e 26 de setembro, enquanto muita gente se preparava para o Tim Festival, uma conexão de altíssima velocidade foi estabelecida entre o Rio e Barcelona, permitindo o envio de sons e imagem em tempo real e alta definição. Esqueça a idéia de uma webcam conectada à rede. Esqueça também os delays de programas como o Skype. A conexão que se estabeleceu entre os dois países nesse experimento revelou de forma clara e assustadora as possibilidades da chamada web 2.0, que funciona a partir de conexões de altíssima velocidade.

Para se ter uma idéia, foram necessárias três semanas para que a conexão fosse estabelecida, graças ao trabalho conjunto dos engenheiros da RNP (Rede Nacional de Pesquisa, instituição governamental pioneira na implementação da infra-estrutura da internet no Brasil) e o evento Arte Futura de Barcelona. Curioso: o tema do evento em Barcelona era justamente de especular qual é o futuro da internet. Nem precisava – o experimento falava por si mesmo.

Uma vez que uma janela como essa se abre, que tipo de “conteúdo” vai trafegar através dela? A resposta a essa pergunta ficou com os brasileiros, mais especificamente nas mãos do antropólogo Hermano Vianna, que constituiu uma equipe de trabalho no mínimo pouco comum: além dos engenheiros e cientistas da computação, havia também artistas visuais e outros profissionais das ciências humanas, responsáveis por executar a programação do evento. A primeira idéia foi fácil. Os brasileiros participariam ao vivo de um simpósio do evento Arte Futura, fazendo uma palestra em tempo real a partir do Brasil. Até aí nada de muito revolucionário, apenas uma videoconferência em alta definição, incrementada pelo trabalho do artista Leando HBL, responsável por projetar paisagens visuais durante a intervenção brasileira.

O mais interessante viria no dia seguinte. Aproveitando que era noite de festa na Espanha, por que não colocar um DJ brasileiro tocando no Brasil para os espanhóis dançarem por lá em tempo real? Para isso foi convidado o DJ Sany Pitbull, representante da nova geração do funk carioca, batizada como “pós-funk”, principalmente por não ter medo de misturar o funk “tradicional” com outras referências, da disco ao rock. O coquetel foi explosivo. A austera sala de computação da PUC começou a balançar com as primeiras batidas misturando Nirvana com funk carioca feitas pelo Sany e os sinais eram mandados em tempo real para Barcelona.

RAVE VIRTUAL
No começo, a timidez era a regra nos dois lados. Tanto brasileiros quanto espanhóis com um pouco de medo de se jogar para valer. Até que alguém foi acidentalmente pego pela câmera provocando os espanhóis para dançar através dos telões de alta definição. A partir daí a coisa pegou fogo. O grupo reunido na austera sala da PUC começou a interagir com as pessoas de Barcelona e uma grande rave virtual se estabeleceu entre os dois continentes. Em alguns momentos a câmera filmava os brasileiros dançando com os espanhóis (através dos telões) que por sua vez se viam na Espanha dançando com os brasileiros através do sinal que saía daqui. Em poucos minutos, não dava mais para saber o que era virtual e o que era real, criando um estado de desorientação, que unia aquelas pessoas em uma experiência rara e difícil de descrever.

A festa durou um bom tempo. O resultado dela foi uma perplexidade geral com as possibilidades da expansão das redes de alta velocidade. Noções como “espaço”, “interatividade” e “presença” são colocadas em xeque. E esse parece ser mesmo um dos futuros possíveis da rede, uma vez que a banda está se tornando cada vez mais larga. As possibilidades de interação, algo como “seja seu próprio avatar”, são ainda inesgotáveis. Com isso, os habitantes do Second Life devem estar olhando para essa nossa boa e velha “first life” e morrendo de inveja.

*Ronaldo Lemos é diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da FGV-RJ e um dos fundadores do Overmundo (www.overmundo.com.br)
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Postado em 19.02.2008 | 15:38 | por Redação Trip
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Quem viveu no mundo do skate não consegue mais sair. Este é o caso do francês Pierre Andre Senizergues, ex-skatista profissional e aficionado pelo universo skater. Inspirado em um movimento pós-guerra em que arquitetos e designers desenvolveram objetos com os mais inusitados elementos, Pierre decidiu criar um projeto hype e bem parecido, o Skate Study House, uma criação em parceria com seu amigo Gil Le Bon De Lapointe, que desenvolve móveis com elementos do skate como shapes, rodinhas e trucks. Os objetos vão de mesas até relógios de parede e dupla vem fazendo tanto sucesso que seus móveis estão expostos na Colette, uma famosa galeria parisiense. Para saber mais sobre o projeto e conferir o design dos móveis, acesse: skatestudyhouse.com
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Postado em 18.02.2008 | 19:11 | por Redação Trip
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wDo monte Hermont, Fiúza se encosta em um velho tanque abandonado e contempla a destruição que a guerra trouxe a Israel

POR RODRIGO FIÚZA* FOTOS ANDRÉ BASSEGIO E RODRIGO FIUZA

Eram duas da manhã quando desembarquei no aeroporto Ben Gurion em Israel. Apesar de acostumado a grandes desafios, seria bastante excitante percorrer os caminhos de Jesus Cristo, lugares conflituosos, conviver com diferentes povos, com crenças e costumes diferentes. O primeiro desafio estava na minha bagagem: bicicleta, equipamentos de alpinismo, duas cordas de 200 m cada e uma enorme bandeira escrita PAZ, em inglês, português, espanhol, árabe e hebraico, que seria estendida em um importante prédio israelense.

Resolvi começar a expedição em um lugar tão óbvio quanto especial. Tirei a bike da mochila e minuciosamente comecei a montar e regular minha companheira. Tudo isso em cima do Monte das Oliveiras. Logo após a regulagem de minha magrela, desci por becos, chegando ao Jardim das Oliveiras. Rezei justamente onde Jesus pregava aos discípulos.

Para entrar no Muro das Lamentações, passei por uma longa revista e tive de me separar da bike pela primeira vez. Dali fui para a mesquita Al Aqsa, uma das mais importantes do mundo muçulmano. De novo de bike, percorri vielas estreitas, correspondentes ao caminho feito por Jesus até o santo calvário.

Uma noite em Jerusalém e, dia seguinte, pé no pedal again. Destino: mar Morto. Após 60 km pedalados, estava abaixo do nível do mar. Logo que sai de Jerusalém, podia ver uma imensidão branca que se estende até o sul do país. O ar muito seco me indicava algo diferente, meus lábios a todo momento pediam água. Aí deparei com uma placa sinalizando que estava a 400 m abaixo do nível do mar. Dizem que o sol por ali queima menos. A verdade é que o calor castigava...

Antes do fim da tarde, cheguei a Massada, antiga fortaleza encravada em cima de uma montanha onde viveu o rei Herodes. Dia seguinte me preparava para um dos trechos mais desafiadores da viagem, rumo ao norte, mar da Galiléia, atravessando o deserto. Saí sob os primeiros raios de sol. Passei por vários canyons e encarei subidas cabulosas. O calor castigava, o suor descia e, quando meu corpo parecia não agüentar mais, vi no meio da imensidão branca uma miragem... um oásis.

Apesar de já ter percorrido vários desertos pelo mundo, nunca tinha presenciado um local tão insólito: entre as árvores, um grupode beduínos com cara de poucos amigos. Quando me aproximei, gritos em dialeto desconhecido ecoaram na minha direção – saquei que não era bem-vindo. Cauteloso, tentei mostrar através de mímicas que era amigo e ofereci uma camiseta da seleção brasileira. Então chegou um senhor, pele curtida de sol e cabeça enrolada em panos, me sinalizou para entrar.

Abasteci-me de água – aliás, tudo o que me ofereceram – e me despedi. A noite chegava. Tive que improvisar acampamento. A temperatura baixava rápido, ventava muito, a barraca parecia que não iria mais agüentar a pressão da ventania...

"POR ONDE PASSAVA VIA POSTOS DO EXÉRCITO: A SENSAÇÃO ERA DE MONITORAMENTO 24 HORAS"

Me encolhi escutando aquele barulho assustador, à espera do sol. De volta à estrada, meu destino era o mar da Galiléia: 250 km de pedaladas firmes. E sofridas. As câimbras me matavam... Saía do deserto e avistava montanhas, plantações e áreas verdes. Exausto, afinal atingia o rio Jordão, local do batismo de Jesus. Aproveitei para tirar uma soneca.

Mais ao norte, tive de vencer as geladas colinas de Golã, palco de guerras sangrentas. Mais uma longa jornada de pedaladas e chego ao nevado monte Hermont. Dali pude ver o que a guerra fez ao país. Diversas placas sinalizavam para não sair da estrada: o caminho estava repleto de minas terrestres. Por onde passava via postos do exército: a sensação era de monitoramento 24 horas.

PRA LÁ DO MURO
Tendo percorrido Israel, a próxima etapa seria, enfim, os territórios palestinos. Passei por momentos tensos na travessia da muralha construída por Israel para separar os povos. Tudo foi vistoriado. Checaram meus documentos e me fizeram um pequeno interrogatório – com passaporte estrangeiro, tive trânsito livre, o que não ocorre com os locais. Palestinos que residiam em Israel antes da criação do muro têm um documento especial que lhes permite acesso restrito aos territórios, o que não ocorre com quem vive do outro lado do muro: esses jamais podem atravessá-lo.

Uma caravana de carros me esperava. Fui recebido com muita festa: em cada carro, uma bandeira do Brasil, outra da Palestina. Vinte pessoas me esperavam na fronteira. Entre elas, jornalistas da Al Jazeera e Joad Albab, representante do Ministério dos Esportes. Me levaram para andar pela beira do muro enquanto eu via manifestações e inscrições de protesto contra a barreira.

Seguindo viagem até o centro de Ramallah, fiquei encantado com a receptividade dos palestinos. Para minha surpresa, no dia seguinte fui recebido pelo próprio primeiroministro, Salam Al Fayed. Durante os 20 minutos de conversas em inglês, falamos de minha jornada, esportes, futebol e, como não poderia deixar de ser, de paz. Ele agradeceu a maneira com que o Brasil vê a situação palestina e elogiou nosso país por receber refugiados que moravam no Iraque [Trip 159]. Terminada a reunião, nosso guia me levou ao túmulo de Yasser Arafat, onde depositei uma coroa de flores.

Dia seguinte, a caminho de Belém vi plantações de azeitona, principal produto produzido na Palestina. Infelizmente, logo terminaria minha visita à Palestina. Como todo bom muçulmano, meu guia Joad me desejou sorte: “Que Allah esteja com você, amigo”. Na volta a Israel, fui barrado em duas fronteiras diferentes, só na terceira consegui atravessar o muro de novo. Pedaladas seguras e chego à mediterrânea Tel Aviv, símbolo do capitalismo israelense. Apesar da criminalidade praticamente inexistente, a cidade foi alvo de diversos ataques suicidas. A aparente calma é ofuscada pelas excessivas vistorias.

Uma grande jornada me esperava em Tel Aviv. Depois de uma noite estudando estratégias, chegou o esperado dia do Rapel da Paz. Jornalistas, funcionários do governo e curiosos acompanhavam cada passo da minuciosa preparação, que durou três horas. Preso por cordas, me joguei de uma altura de quase 150 m, abrindo nossa bandeira da paz. Em segundos, pousava no solo e via nossa imensa mensagem atravessando fronteiras pelo mundo.
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Postado em 18.02.2008 | 16:01 | por Cirilo Dias
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Banda: Bo$$ in Drama
País: Brasil
Estilo: Clube / Jungle / Happy Hardcre
Myspace: www.myspace.com/bossindrama

Dramalhão curitibano
Por Cirilo Dias

Aos 20 anos, Péricles Martins já é o novo queridinho da cena eletrônica. Tudo culpa do seu Bo$$ in Drama, alcunha criada pelo próprio para as apresentações insanas, onde assume o vocal, sobe em caixas de som, e não deixa uma alma sequer parada nas pistas de dança. Péricles faz tudo sozinho, grava, produz, marca show, mixa, remixa e canta, tudo utilizando um equipamento de fazer muito marmanjo metido a produtor chorar: "um microfoninho de cincão". É o famoso "do it yourself", só que caprichado. De Curitiba (PR), sua cidade natal, Péricles conversou por telefone com a Trip. Leia e aproveite.

É cada vez mais freqüente te chamarem de "a nova promessa da música brasileira". Esse rótuto te dá um certo medo?

Eu penso assim: eu estou fazendo o que gosto, nunca fiz música com pretensão, tipo "porra, quero fazer sucesso, vou fazer um hit". Mas acho mega bacana as pessoas confiarem no meu trabalho e gostarem. Se elas botam a cara pra bater apostando na minha música, não é uma pretensão só minha, e uma pretensão da mídia que está falando que sou uma promessa. É bacana quando alguém confia no teu trabalho e fala esse tipo de coisa ou faz bons comentários, mesmo porque aquilo que eu faço, gravar, cantar, produzir, não é muita gente que fez. E olha que eu não canto nada, eu só faço um rap, uma linha de vocais que dá certo com minha voz. Tudo começou como uma brincadeira, aí as pessoas vêem e falam "nossa, como você canta bem". Foi uma coisa que eu fiz porque eu amo e me divirto fazendo isso.

E você faz tudo isso na sua casa utilizando apenas um computador e aqueles microfoninhos vagabundos, né?

Eu tenho um segredo, porque como uso um microfone mega tosco, eu gravo e ele fica ok. Os microfones profissionais captam ar e tal, já os vagabundos têm uma compressão mega foda, que entra a freqüência exata. Aí baixo uns filtros na internet, pego uma acapella da Gwen steffani , Britney, e coloco a minha e a dela lado a lado, até deixar as duas com uma qualidade igual. As pessoas perguntam: "Como você consegue?". Eu gravo no meu quarto com microfone de cincão, é só fuçar mesmo, buscar filtros na internet, testar um monte, aprender a usar, ficar o dia inteiro testando.

E quando foi que você começou a brincar com esses programas até chegar no Bo$$ in Drama?

Comecei em 2004 fazendo umas batidas meio trip hop, tentava misturar hip hop, e algumas coisas que eu ouvia bastante, mas não era muito dançante. Aí comecei a testar algumas coisas dançantes, testar uns timbres legais, foi quando chamei uma amiga pra cantar junto - e montamos o Gomma Fou. Ae fomos chamados pra tocar no Project Band do Motomix de 2006. Depois terminei o projeto e comecei a fazer algumas coisas sozinho, pois já tinha formatado o que eu queria, produzido vários tipos de música diferentes, e estava com uma visão mais ampla, toda uma bagagem de influências, coisas densas dos anos 90, muito hip hop, rock. Não foi uma coisa assim "vou produzir algo igual ao que produzi na semana passada", é uma coisa que você pega tudo o que ouviu e faz um x-salada, coloca aquilo e cria teu som, mistura timbre do Daft Punk, vocal rap, anos 80, umas batidas mais frescas. O legal é você fazer uma coisa influenciada, mas que não pareça da época, porque se parecer já não é legal. Se você faz uma coisa parecida com New Order, é melhor ouvir o original do que o genérico.

E você teve um breve projeto com o Pedro do Bonde do Rolê também?

Sim, na verdade ainda tenho a demo aqui no computador. A gente queria criar um novo estilo, a New Dance Music, fazer uma nova dance de 1993, um pós-new rave quando estava começando o new rave. Foi engraçado, a gente não terminou nada. Marcamos um show, só que o Pedro tinha esquecido que ia viajar pra Europa com o Bonde dois dias depois. Agora que ele voltou, quem sabe a gente faz alguma coisa junto. Somos bastante parecidos, temos umas idéias bem legais.

E foi dessa amizade que surgiu o convite para remixar "Vitaminada" do Bonde?

Na verdade, eu remixei porque ouvi uma acapella que o Gorky mandou pra mim, ninguém conhecia a música. Eu queria fazer algo que fosse uma cornetinha, mas que não fosse funk. Quando o Gorky mandou a música, ele nem imaginava que eu fosse fazer algo com aquilo, foi quando lembrei daquela música dos Mamonas Assasinas, "Ser corno ou não ser", e tirei o sample de lá, mudei o timbre e usei. Ninguém sabia disso até agora [risos]. Eu recortei a corneta, desmontei, e isso que é o legal da música eletrônica, pegar qualquer barulho, qualquer música, recortar pedacinhos e fazer uma coisa só sua, e não ter que pagar direitos autorais pra ninguém. O pessoal do hip hop faz isso, da eletrônica, pois muita gente bebe das mesmas referências. Esse é o lance, ser cara-de-pau, mas na medida certa.

E suas principais referências são C&C Music Factory, La Bouche? Aquelas tosqueiras dances dos anos 90?

Sim, hoje em dia é legal você falar que curte os anos 90. Mas eu lembro que tinha uma época que quando eu falava isso, as pessoas me achavam tosco, tipo em 2000, 2001. E essa quebra de preconceito é boa, pois na época não tinha nenhum artista ou banda influenciado por essas coisas, hoje em dia você já ouve isso. Isso é influência, e com certeza daqui a uns anos, as coisas que você fala que não gosta, tipo Alexia, não tão legais, vão ser legais. Alguém vai dizer que foi influenciado, e com o tempo as pessoas vão se acostumando e amolecendo.

E o disco de estréia? Quando sai?

No momento estou trabalhando em vários remixes, tipo um pro DJ Zegon, que deve sair em abril. Já recebi vários convites pra lançar, tipo um de um selo obscuro da Alemanha, mas acho melhor esperar, porque tenho várias faixas novas em mãos, e vai aparecer uma oportunidade legal, um selo bacana que vai comprar a idéia, e corresponder à minha expectativa. Eu não quero fazer alguma coisa agora, precipitada, vou esperar produzir minha demo. Preciso de umas 30 faixas, pra selecionar 10 bacanas, e dessas um single foda. Quero ter algo de qualidade.

E você também vem de Curitiba, a capital da música despretensiosa que faz sucesso. Espera embarcar nesse sucesso também?

Ultimamente têm surgido essas oportunidades, propostas pra tocar em vários lugares, mas não quero botar expectativa, fazer sucesso, largar minha faculdade, minha vida. Quando eu puder viver só de música, vou me dedicar somente a isso, mas não vou apostar todas as minhas fichas agora, enquanto não estiver com nada concreto, um planejamento pra fazer as coisas, e levar isso como profissão, porque no momento eu não consigo me sustentar com isso. Se uma hora o meu som for considerado uma bosta, vou continuar fazendo, a diferença é que as pessoas não vão estar gostando, mas a partir do momento que eu não estiver me divertindo, virar um saco, não vou mais fazer, abro uma loja, sei lá...

E você gosta de tocar em festivais?

Sim, acho muito bacana, toquei em dois já, no Motomix e no Eletrônica. Eu conheci uma galera, todos os artistas, menos os que têm síndrome de estrelismo. Nesse último, encontrei o James Murphy umas quatro vezes, ele estava do meu lado no aeroporto e fui pedir açúcar, aí ele disse: "Como você sabe que eu falo inglês?", e eu "Porra, você é o James Murphy!". É legal, você troca experiências, pergunta como faz, o que usa, de que jeito. Sou mega curioso, gosto de conhecer o set up, nas passagens de som fico olhando os equipamentos, como eles fazem, uma coisa meio nerd, mas eu curto pra caramba.

E tem algum artista que você gostaria muito de fazer um remix?
Eu queria fazer um remix encomendado pelo Michael Jackson, ia achar incrível. Outros bem fodas seriam Daft Punk, C&C Music Factory, Erasure, Pet Shop Boys. Acharia bem foda!
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Postado em 18.02.2008 | 13:51 | por Eva Uviedo
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Por Zé Garcez* | Fotos Hernan Muttoni

Colonizado inicialmente pelos espanhóis e posteriormente pelos ingleses, este arquipélago foi fundado em 1826 por imigrantes trazidos da Jamaica para trabalhar nas plantações de banana, quando recebeu o nome de Bocas Del Toro.

Localizado na região nordeste do Panamá, a 60 kms da fronteira com a Costa Rica, Bocas é composto por 6 grandes ilhas, onde destaca-se a ilha Colón - pois é ali que fica a vila - e também Bastimientos pela beleza de suas praias, muitas ainda virgens. Em todas as ilhas a natureza está muito preservada e é possível observar pássaros de diversas espécies, além de toda a diversidade contida na chamada “rain forest”, muito similar em beleza e importância ecológica à nossa Mata Atlântica.

O fundo do mar de Bocas é um capítulo à parte. Cercado de corais por todos os lados a prática de mergulho pode ser feito em profundidades que variam de 20 a 60 mts, com uma visibilidade que pode passar dos 30 metros.

No arquipélago rolam ondas perfeitas que quebram sobre o fundo de coral, em sua grande maioria acessível apenas por barco. Destacam-se aí Carenero, um reef break longo e tubular que quebra ao lado de um costão, e Punch, quebrando tanto pra direita quanto pra esquerda, em frente a uma pequena praia da Isla Colón, sendo uma onda mais manobrável e com acesso também por terra. Além de Bluff, poderoso beach break e Dump.

Existem várias opções para se hospedar em Bocas, a maior parte na Isla Colón, pois é lá que se localizam todos os serviços. Pra quem quer um pouco mais de sossego e contato com a natureza, o ideal é se hospedar em Carenero ou Bastimientos. A culinária local é composta basicamente de peixes e frutos do mar, acompanhados com o famoso arroz com côco, muito apreciado entre os nativos e encanta os turistas. Pra quem quer ainda aproveitar a curtição de Bocas Del Toro, o Barco Undido na Isla Colón e o Aqualouge em Carenero ficam à beira mar e lá você pode conhecer gente do mundo todo.


* Zé Garcez é surfista, advogado, cinegrafista, mergulhador e músico, e em 2006 cruzou toda a América Central a bordo de um jipe pelo projeto Mexicombrasil

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Por Redação da Trip

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