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Lenda é pouco

Quem imaginaria que aos 50 anos Picuruta estaria defendendo o título brasileiro de pranchão
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08.07.2010 | Texto por Reinaldo Dragão Andraus* Fotos Divulgação/Local Motion

Divulgação/ Local Motion

O Gato sai da toca. El Salvador, 2008

O Gato sai da toca; El Salvador, 2008

Fico imaginando até onde Picuruta teria levado o surf brasileiro se durante seus anos áureos de pranchinha ele tivesse a oportunidade de seguir o WT (World Tour), da mesma forma que atletas como Fabio Gouveia e Adriano de Souza.

Essa pergunta fica em aberto. Mas o Gato nunca ligou para isso nem para o mar de adversidades que rondou seu caminho. Como uma pessoa decidida, que sabe aonde quer chegar e segue o caminho que se apresenta, foi colecionando títulos. Mais até do que Kelly Slater, com certeza (em termos de topo do pódio). É óbvio que a esfera de atuação de Slater é diferente, mas os títulos de Picuruta, dentro do ambiente competitivo que ele frequentou, são dignos de menção no Guinness.

Quem imaginaria que no ano em que ele vai completar 50 de vida estaria defendendo o título brasileiro de pranchão com atletas que têm idade para ser seus filhos? Opa! Espera aí. Seus filhos estão realmente disputando títulos com ele. Fenomenal.

 

Fenomenal é a forma como Picuruta surfa numa competição. Como ele administra uma bateria. Nada de manobras pirotécnicas e evasivas. Cada onda é construída com uma sequência de movimentos perfeitos, tecnicamente irretocáveis, de eficiência ímpar, força e pressão, que “encurralam” os juízes, obrigados a soltar um high score. Onda após onda, bateria após bateria, com uma consistência que o transforma no maior vencedor brasileiro de todos os tempos.

Era assim quando ainda garoto e começou a quebrar o establishment dos cariocas, que sempre haviam sido os bichos-papões do surf nacional. Foi assim, no início dos anos 80, quando ninguém discutia que ele era o melhor surfista do Brasil (e nem existiam competições de pranchão). A partir dos anos 90, sua supremacia no longboard transformou o que já era lenda em algo muito maior. Mais vivo do que nunca. E não acabou. Vá tentar ganhar dele.

*Reinaldo “Dragão” Andraus já dirigiu as redações das revistas Fluir, Hardcore e Alma Surf; atualmente é o Diretor de Marketing da Hawaiian Dreams (HD)

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