Determinada também no sexo, Nina se diz dominadora: é ela quem conduz o parceiro, deixando claro tudo o que gosta e principalmente como gosta. Para ela não há limites, desde que esteja num lugar em que se sinta á vontade.
Nina é especial também pela simplicidade e desapego. Ao contrário da maioria das modelos, ela não liga muito para a aparência. Não malha, não se maquia, não usa cremes. Acha tudo isso um saco – o que diz com simpatia sexy, aberta, sem culpa.
Sua voz é de sonoridade gostosa, que combina com as curvas do corpo esguio e o tom oliva da pele, tom mediterrâneo, que faz pensar em tempos de idílio, quando não havia nem sombra da noção de pecado.
Ao falar dos filhos, Sara, a mais velha, e o casal de gêmeos Nina (“jr”) e Téo, abre um sorriso doce, que suaviza o rosto algo exótico, de traços fortes, sedutores. Volta a ser, talvez, a mãe menina de dez anos atrás. Esses momentos fugazes, em que a expressão muda de misteriosa em espontânea são parte do seu charme muito particular, nada posado, não calculado, absolutamente natural.
Com essa irresistível simplicidade, era inevitável que tivesse uma extravagância. Nina gosta de bichos, muito, e em especial de bichos feios, répteis, cobras. Acaba de comprar para o aniversário de Sara uma cobra rosa, de tamanho médio. “É muito fofa!”, exclama às gargalhadas. Definitivamente uma mulher de verdade, terrena, “atingível”, com deliciosas imperfeições.
A seguir, a conversa que a gente teve aqui na Trip, na véspera do Carnaval.
Como você começou sua carreira de modelo?
Começou muito cedo, eu tinha 12 anos, morava com a minha mãe aqui em São Paulo, em uma cidade chamada Birigui...
Você nasceu lá?
Não, eu nasci aqui. Passei parte da minha infância aqui. Meu avô era bancário, foi transferido para lá e minha mãe foi junto. Aí vivi lá, fiz uns trabalhos lá, até que eu tive idade para vir para cá. Minha família é daqui, meu pai, minha mãe, meu irmão.
Chegou a fazer faculdade?
Fiz, faculdade de Gestão de Moda no Senac e agora começo a pós na FAAP, em março.
Você pensa em trabalhar com isso agora?
Não, eu vou terminar o que eu faço, porque é o que eu amo na verdade. Minha ideia é estudar e fazer meus contatos, como venho fazendo. Mas ainda tenho muito trabalho então não consigo conciliar as duas coisas, e meus filhos, no momento não consigo ter duas profissões. Então prefiro continuar com o que eu tenho, que é o que eu gosto.
Você chegou a morar fora?
Nossa, eu viajei o mundo inteiro. O último lugar foi a Grécia e agora vim para cá, e pretendo fincar raízes aqui. Não pretendo mais viajar, em função dos meus filhos, é meio complicado para mim. E apesar de ter skype e tudo mais,e a gente se ver, eu prefiro ficar aqui.
E foi Grécia, e onde mais?
Grécia, Istambul, Milão, eu fiquei mais tempo em Milão. Mas sempre indo e vindo, eu ficava 6 meses em uma cidade, ia para outra. Foi sempre assim.
Qual a origem da tua família?
É italiana, dos dois lados.
Fez alguma campanha que te marcou?
As campanhas são todas muito parecidas, mesmo as de fora. Tem experiências que eu acho marcantes para mim como pessoa. Teve uma campanha que eu passei muito frio, em Paris, nesses dias agora. Que foi externa, nevando e eu de biquíni.
De biquíni e nevando? Quantos graus?
Menos 2ºC, mas a sensação térmica era -10ºC. Muito, muito, muito frio. Mas tinha toda uma estrutura, de cobertor térmico. Mas não adianta, com neve, não tem como fugir. Mas são experiências como essa, para a gente crescer.
Nós temos uma ideia de que vida de modelo é super glamurosa, cheia de privilégios, e não é muito assim, né?
Não é nada assim, pelo contrário, a gente espera. A função da gente é esperar. Por exemplo, um desfile que começa às 20h você chega para maquiar às 10h. E você fica lá maquiada, a maquiagem termina às 11h, 12h... E você fica lá, não pode sair do backstage, e ficar lá esperando. Então tem que ter muita paciência. Não tem nada de glamour, de luxo. É uma profissão como outra qualquer.
Você lê bastante nessas esperas? O que você lê?
Eu leio. Leio bastante ficção. O último livro que eu li foi uma romance, A cabana, que eu adoro, muito lindo.
Você tem um Ipod também? O que você gosta de ouvir?
Eu só não gosto de pagode e sertanejo. O resto sou muito tranquila, gosto muito de MPB. Marisa Monte, adoro. Maria Gadú, adoro, acabei de ir no show dela lá em Floripa. Mas é mais MPB, porque como a gente tá fora, e eu passo muito tempo fora...Ouvir a nossa música...
E para se divertir você faz o que? Você vai em balada ou você é mais sossegada?
Eu sou bem sossegada. Eu gosto de balada, saio com meus amigos, mas eu tenho que ficar com os meus filhos, com meu namorado, gosto de ficar em casa, cuidar das plantinhas... Mas uma vez por semana eu saio com meus amigos. Só que é muito mais comum eles virem até minha casa, um jantarzinho, do que eu sair.
Você cozinha?
Eu não cozinho nada! [risos] Comida de modelo para se virar, quando tô fora.
Como é comida de modelo? Saladinha?
Não! Que saladinha... Faz saladinha quando é prático e rápido e tem que correr. Mas é mais massa folhada, macarrão, essas coisas mais rápidas, de bate-pronto.
Não tem que ter uma dieta?
Tem, tem! Mas é que eu não engordo com muita facilidade. E se eu tivesse que me tirar esse privilégio de comer o que eu gosto, eu não sei se seria modelo. [risos]
E o que você seria se não fosse modelo?
Eu sempre quis ser médica, desde pequena. Mas hoje não me imagino sendo médica. É muito mais voltada para o que eu faço, que é moda mesmo.
Quando o olheiro chegou em você, ficou assustada? Porque você só tinha doze anos...
Não! Fiquei mais eufórica, “Eeee, vou fazer propaganda!” Porque chegou mais como um trabalho específico para mim, na hora pensei nas minhas amiguinhas e tudo mais. Ai no terceiro, quarto, quinto trabalho eu já tava achando um saco. Porque tem que ficar lá esperando, esperando, esperando. Meus filhos odeiam! Porque os três são muito bonitos fisicamente. A minha mais velha nem imagina, porque ela acompanhou bastante. Eu tive a Sarah com 15 anos, e para onde eu ia ela ia junto. E ela acha um saco.
Ela tem dez?
Ela vai fazer dez agora, os gêmeos fazem aniversário dia 16 e ela dia 17. Um dia de diferença.
Com 15 anos? E eu aqui ia perguntar quando foi seu primeiro beijo...
Foi com 14! Foi meu primeiro namorado, uma das primeiras vezes e eu engravidei.
Logo de cara?
Foi, foi...Foi triste!
E esse primeiro namorado não é o seu ex marido? Não é o pai dos gêmeos?
Não, não é. Foi uma história curiosa, eu tava na escola e me apresentaram esse menino, o nome dele é Natal. Começamos a sair, aquela coisa de escola, meu relacionamento com minha mãe sempre foi muito aberto, ela deu os conselhos e tal. Aí rolou o primeiro beijo na escola, coisa de guria. Dias depois, eu master apaixonada, levo ele lá em casa para conhecer minha mãe. E ela disse “você não pode namorar esse menino.” “Por que, mãe?” “Porque ele é seu primo!”. Ele é meu primo de terceiro ou quarto grau, nós temos o mesmo sobrenome, Mazzucato. Só que eu já tava envolvida, e não tinha muito como. Meses depois eu fiquei grávida, foi um susto para mim, e muito mais para minha família, até porque eu já tinha minha profissão. Mas fui muito apoiada depois do susto.
E você continuaram namorando?
Continuamos até a Sara fazer um nove meses, ficamos juntos.
Ele também tinha 15 anos?
Ele tinha 18. Mas éramos duas crianças. Hoje em dia nós temos conversas amigáveis e tudo mais. Mas eram duas crianças que tiveram outra criança.
E como é sua relação com a Sara?
É de amiga, amigona. Imagina, quando ela tiver 15 eu vou ter 30. É uma relação interessante, ela é minha parceira. Eu voltei para São Paulo logo depois que a tive. Ela ia comigo, na maioria das vezes, aos trabalhos, sempre com o apoio das outras modelos, com apoio da própria produção, porque eu tinha que amamentar. Ela era super comportada, brincava com todo mundo. Era uma diversão, um chaveirinho. [risos]
Você lembra como foi a primeira vez para você?
Foi bem tranquila, o pai da Sara, o Natal, era uma pessoa muito delicada. A gente tinha tentado uma vez, tentou a segunda etc. Foi muito mais carinho e tudo mais, não tive dor, não tive sangramento, foi bem prazerosa.
"Não gosto de sexo ao ar livre, situações em que eu posso ser flagrada. Eu preciso me sentir à vontade, em casa. E coisas físicas... Não tem nada que eu não faria."
Você lembra que você tinha um desejo, você olhava para ele e sentia um negócio?
Não, [risos] era muito mais carinho. Eu sempre fui uma pessoa muito carinhosa, romântica até. Não tinha esse desejo sexual, foi muito mais carinhos, beijos e abraços que levaram para uma outra história do que desejo sexual latente.
Estou perguntando isso porque pelo menos em foto, você é muito incisiva, muito atraente, tem um domínio muito claro da sua sensualidade. Você mudou ao longo desse tempo? Muitas experiências? Muitos namorados?
Não, não tive. Tive pouquíssimos namorados. Tive seis pessoas com quem eu transei, com quem eu tive relacionamentos duradouros. E sempre fui muito confiante, acho que dominadora, em função de toda a minha história, dos meus filhos...E não é nem dominadora, eu controlo um pouco o que eu quero, eu sou muito clara, muito sincera e às vezes machuco as pessoas com a minha sinceridade. Mas não mudou não, eu sou muito romântica, tenho os meu sonhos. Mas sou controlada, sei o que eu quero, tenho o domínio do meu corpo, dos meus desejos. Acho que é isso.
É inevitável perguntar...No sexo você é dominadora também?
[Risos] Aaahhh! Eu faço o que eu gosto e não faço o que eu não gosto. Eu sou mais dominadora do que o homem no geral.
Se incomoda se eu perguntar o que você gosta e o que você não gosta?
[Risos] Ééé...Eu não gosto coisas do tipo bater, prender, algemar, desejos muito fora da casinha. Não sou muito disso. Não gosto de sexo ao ar livre, situações em que eu posso ser flagrada. Eu preciso me sentir à vontade, em casa. E coisas físicas... Não tem nada que eu não faria. Eu gosto. Sendo com prazer, com carinho, eu não tenho muito de “eu não gosto disso, eu não faço isso”. Eu só não gosto de estar em lugares públicos, transar dentro do elevador, não é comigo. Eu não curto essas coisas.
Você é sexualmente exigente?
Não, não precisa transar horas. Nem muitas vezes, nem... É uma vez bem feita! Não precisa ficar dias...Eu nem gosto disso, de ficar fazendo um monte de vezes, toda hora.
Mulheres em geral têm muito prazer, mais do que o homem...como é pra você?
Não tenho orgasmo múltiplo, nada de diferente, mas eu sinto muito prazer. Quando eu vou para a cama eu sinto muito prazer porque eu vou fazer sexo, porque eu quero fazer sexo. Não tem essa história de fazer por obrigação, ou porque meu namorado, meu parceiro quer. Eu só faço porque eu tô a fim - e quando eu tô a fim, eu tô a fim. E aí eu sinto muito prazer, e dou muito prazer para o outro.
"Não, não precisa transar horas. Nem muitas vezes, nem... É uma vez bem feita!"
Tem aquela história de que homem pensa em sexo tantas vezes por dia, e mulher é um pouco menos. Para você é assim também? Ou é mais sossegado?
Não, eu penso em sexo com meu namorado. Não consigo me imaginar pensando em sexo com outras pessoas quando tô na rua, como eu penso que alguns homens são. Não, eu penso normal, penso em sexo durante o dia, e quando vejo meu namorado, e quando ele tá passando, enfim.
Vocês se falam por telefone quando vocês tão longe? E rola “ai, queria te tocar assim assado”?
Claro, claro! Porque quando tá longe não tem jeito, né!? Mensenger, skype... Agora que ele passou três meses fora e a gente não se viu, então tem sexo por telefone, sexo pelo messenger... Não tem jeito.
Palavra no sexo conta?
Conta, é legal sim! Eu detesto pessoas quietas e paradas lá, sem fazer nada. Eu converso e faço com que o outro sinta o que eu estou sentindo. Se eu tô com prazer eu digo, se eu não estou eu digo também. E vou deixando que ele saiba ao longo do sexo o que eu estou sentindo, acho que a gente sente muito mais prazer sabendo o que o outro tá sentindo também.
Você pede? Você conduz?
Espera um pouco, vai, continua assim, assim tá bom, falo, falo, falo tudo.
Imagino que você seja muito assediada, como é isso para você?
Para mim é tranquilo, contanto que não me toque, eu não gosto de ser tocada. Quanto a falar comigo, de um jeito que não seja muito grosseiro, eu sempre respondo com educação. Agora, não me toca, quando me toca a coisa fica feia. Eu sou bem agressiva quando alguém invade meu espaço e eu não quero ser tocada; eu aviso: por favor, pode conversar comigo, só não me toca. E se a pessoa invade o espaço de novo, eu não sei lidar muito bem. Não me toca, não passa a mão.
E já aconteceu isso?
Já!
De rolar um barraco?
Já!
Como foi? Você lembra?
Lembro! Eu tava numa festa, tinha outras modelos, e tal, e sempre a gente conhece várias pessoas, nosso meio é muito fechado. Você conhece uma modelo, ela conhece uma pessoa e vira um conhecido. E tinha um menino nessa turma que era amigo de um amigo de um amigo... E veio conversar, e tal, e eu não tenho essa história de “eu sou bonita, não chegue perto de mim”. E ele veio conversar, e era moleque, esse estilo carioca, todo malicioso, e bla bla bla, e bebeu, bebeu; eu não bebia até então - eu comecei a beber até pouco tempo atrás, e ele começou com carinho, me tocando e passando a mão... Eu pedi a primeira vez, pedi a segunda vez, na terceira vez foi bebida na cara, tapa na cara, e tiveram que me segurar. Eu detesto isso, eu evito ao máximo.
E o cara não ficou com vergonha?
Nada! Ficou lá rindo, achando lindo, esse tipo de cara que acha maravilhoso ficar no chão por causa de uma mulher.
"Ele começou com carinho, me tocando e passando a mão... Eu pedi a primeira vez, pedi a segunda vez, na terceira vez foi bebida na cara, tapa na cara, e tiveram que me segurar."
E esse negócio de Penélope Cruz? Como começou isso?
No começo foi como Julia Roberts, um pouco... Por causa da boca, e eu tinha um cabelo parecido com o dela, um pouco mais comprido, ondulado, e passou para Penólope Cruz não faz muito tempo, faz um ano e meio, um ano. E tenho muitos trabalhos com referências a ela em função disso. Por ter traços mais latinos e tal. Mas não faz muito tempo, sempre foi a Julia Roberts.
O que você gosta em um homem?
Inteligência em primeiro lugar. É claro que a primeira atração é a física, não tem como negar isso. Não gosto de homens fortes, fortes, fortes, marombados; prefiro homem magros ou normais. Não gosto de homens muitos baixos, porque eu ponho o salto e fico...
Você tem quanto?
Quase 1,80...1,79. Não é que “não gosto”, eu me identifico com pessoas parecidas comigo, pessoas normais. Não tenho um tipo específico de homem, só não gosto de homens fortes, marombados.
Você tem um hobby?
Não tenho! Eu não malho, não faço nada, não faço porcaria nenhuma, pilates, nada, nada, nada. Eu me acidentei há um tempo atrás, quebrei meus dois pés de uma vez. Foi um acidente de carro, na Alemanha, fui à trabalho, fiquei uns dias a mais para passear com meu ex-marido, e o carro entrou debaixo de um caminhão...Aí quebrei os dois pés, fiquei um tempão de muleta. Tive que parar de trabalhar e tudo mais, fiz muita fisioterapia, muito pilates, muita água, hidrolight, e meio que peguei bode. Eu fazia de 6 a 8 horas de fisioterapia de segunda a segunda, e nisso parei de fazer tudo. Hobby... Eu gosto de cuidar das plantinhas, adoro bicho.
Você tem bicho de estimação?
Tenho em Floripa: passarinho, coelho, e o escambau...
O que é o escambau? Tem gato?
Não, tinha passarinho, mais uns pássaros. Eu adoro porco, adoro ovelha, se eu pudesse eu teria tudo em casa.
Você leva seus filhos ao zoológico?
Adoro, adoro, adoro. A minha filha vai fazer 10 anos agora, dia 17, vou dar uma cobra para ela de presente. [risos]
E ela gosta?
Adora! A Sara é bem descolada...
E como é que cuida da cobra?
Tem que dar um rato uma vez por semana!
Você não morre de nojo?
Não! Eu tenho dó. Aí minha amiga vem, mata o rato para mim e eu dou.
Sua amiga mata o rato e você dá? Então você já tem uma cobra?
Não, não tive. Essa minha amiga tem um namorado e o namorado tem um amigo que tem milhões de cobras em casa, e cria e é dele que eu vou comprar. É muito bonitinha...
Mas você já consultou sua filha?
Não! É presente surpresa. Mas ela gosta, ela comentou outro dia “A gente podia ter um cobra, você podia deixar, né mãe!?” “Não! Cobra nem pensar”...Ela quer uma iguana, ela adora bicho, só que eu não tenho tempo de cuidar.
Não deixa de ser engraçado, você é linda, sua filha deve ser linda, e você gostam de bichos feios! Cobra, iguana...
Ah! Não! São poucos, se eu pudesse eu teria uma ovelha em casa. Mas é que é um bicho que não precisa de tanto cuidado como um cachorro, por exemplo, que tem que passear todo dia, e eu não tenho esse tempo nem essa disposição. Eu chego em casa acabada, então, tem que ser um bicho que não dê tanto trabalho. Um ratinho, uma vez por semana.
E você já foi com ela ver as cobras?
Não, só eu. Tem uma rosa, que é a que eu acho que vou dar para ela. Eu já até imagino ela com a cobra enrolada, com as amigas, dando o ratinho, porque a Sara é descolada, ela não liga de dar o rato. Vai ser uma diversão.
E ela não quer ser modelo de jeito nenhum?
De jeito nenhum... Ela disse que quer ser obstetra. A Sara desde pequena assiste muito parto na TV, e ela adora. E gosta de E.R.. Eu também era assim, e imagino que ela vá nesse caminho se nada mudar na vida dela. Mas modelo sem chances. Ela é muito bonita, muito fotogênica, a gente já fez trabalho juntas, mais para material mesmo, portfólio... Mas ela não quer, acha um saco ficar esperando, ficar maquiando, incomoda, puxa o cabelo para escovar...
Eu fiquei impressionado de você falar que você não malha...
Não faço porcaria nenhuma...Que vergonha! [risos]
Você não se preocupa?
Me preocupo quando eu vou fazer a foto, se tô com barriga, com a bunda caída... Mas na hora a gente dá um truque, dá-lhe photoshop depois... Não me preocupo. Acho que se tiver que me preocupar mais para frente, me preocuparei. Deveria, né? Porque é minha profissão, cuidar do meu corpo, mas por falta de tempo e paciência não consigo ficar uma hora na academia. Não, não é para mim.
Mas você tem outros cuidados, creminho?
Não! Nada, nada, nada...Não me maquio para sair a noite. Não faço nada! Como eu não sei me maquiar sozinha, se você faz qualquer coisa errada ele fica mais comprido do que é, mas não é nem isso. Não tenho paciência, põe uma roupa primeiro e ai fica lá...
Mas roupa você gosta, né?
Gosto, gosto...Não tenho milhões de sapatos, milhões de bolsas...Eu tenho coisas que são práticas e que eu gosto. Ponho um vestido e chinelinho, tá ótimo, e vou embora. Uso muita calça jeans e blusa branca, só ponho uns colares... É muito prático para mim não ter que ficar se vestindo.
Então você não é vaidosa?
Não, não sou!
Não fica se olhando no espelho?
Não, não fico! Eu tenho muito cuidado com relação a me depilar, coisas práticas e que eu tenho que fazer em função do meu trabalho e para mim mesma. Mas não fico horas me arrumando. Se eu falar: dez minutos eu estou aí, em dez minuto eu estou pronta... Menos! Eu acordo 5 minutos antes de sair de casa, só para escovar os dentes e só.
Foi a primeira vez que você posou nua?
Foi! Foi muito tranquilo, a equipe era muito tranquila também, pessoas muito capazes e muito competentes. Mas eu não tenho nenhum problema com a minha nudez, em ficar pelada... Até por causa do backstage, porque a gente tem que se trocar, tem homem pelado, mulher, tudo junto. E depois por ter filhos, a gente vai amamentar tem que dar o peito... E eu em casa só fico de calcinha. Não me visto, não me importo. Tem os vizinhos, e é mais por respeito a eles. Por mim a gente ia a praia pelada, topless...não tem que ficar me vestindo.
"Não tenho nenhum problema com a minha nudez, em ficar pelada... Até por causa do backstage, porque a gente tem que se trocar, tem homem pelado, mulher, tudo junto"
Na Europa você fazia?
Fazia...Em Floripa eu faço também. Tem praias, como a praia Mole, são pessoas GLS, mais descoladas. É que eu não posso ficar com muita marca de biquíni por causa do meu trabalho e tal, e eu não sou muito fã de sol. Quando vou, eu vou com um tomara-que-caia, quando é uma praia mais normal. E acho que a gente nasceu assim, meus filhos andam pelados o tempo todo em casa, eu não tenho, eu não gosto...
Você nunca reparou se um cara fica te olhando?
Não, eu não olho para as pessoas. É um hábito meio feio isso, é que eu sou desligada, muito esquecida. Meus amigos me proibiram de falar “muito prazer” para as pessoas...Porque elas falam “Hey Nina, lembra de mim?” “Não”, várias vezes, várias! [risos] Então eu falo só “Oi”, se é amiga eu sei, senão eu não lembro. Sou péssima de memória, e não reparo se os homens ficam me olhando, e nunca me senti agredida quando faço. Nunca tive problema.
E as pessoas acham que você é arrogante quando você faz isso?
Acham, mas por cinco minutos. Só me conhecendo. Eles me chamam de Doris, aquela peixinha do Nemo, a menina “Quem? Onde?”... [risos] Eu sou muito perdida, sempre tenho que estar com GPS, com telefone, ligo “Oi! Onde eu estou?”. Muito esquecida de nome, de fisionomia, e já passei por várias.
Você já sentiu atração por mulher?
Não, nunca. Não é minha praia. Acho bem bonito ver, e eu tenho um monte de amigas lésbicas e um monte de amigos gays, em função do trabalho... Mas não é minha praia. Tem casais de amigas minhas que namoram há muito tempo. É bem normal.
Como você se vê daqui dez anos, quando você tiver 35, que é uma idade mais difícil para modelo?
Eu acredito que eu vá continuar a fazer alguns trabalhos mais específicos como mulher, mãe e tal. Mas já me vejo no meu trabalho, uma outra história. Me imagino daqui vinte anos, trinta anos. Morando em uma casinha, com cabelão comprido, descalça, vestidão. Eu tenho alguns planos para mim, mas o que eu quero da minha vida é muita simplicidade. Não quero morar em um duplex...
Qual a parte do seu corpo que você mais gosta?
Minha boca, e meus olhos. Acho que são as que eu prefiro, que realmente dizem o que eu penso e que não tem muito como omitir.
Produção Drica Cruz / Make Rafael Guapiano






















